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26 de set de 2019

Criação integrada dá autonomia às famílias

As famílias do interior do Piauí estão conseguindo a autonomia financeira, melhorando qualidade de vida e se alimentando melhor e de forma mais saudável utilizando o Sisteminha Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias).
O Sisteminha da Embrapa está sendo utilizado em todo o Piauí e com muito êxito no município de José de Freitas (43 km de Teresina), onde existe uma parceria da aplicação do sistema feita pelo Instituto Federal do Piauí (IFPI) e a Prefeitura Municipal.
O engenheiro agrônomo e professor de Ensino Técnico do IFPI, Luís Galvão, afirmou que o Sisteminha da Embrapa implantado no Assentamento 22 de Maio, a 15 quilômetros do centro de José de Freitas, promove a segurança alimentar e beneficia 30 famílias.
Professor de Ensino Técnico do IFPI, Luís Galvão explica como funciona o Sisteminha
O Sisteminha da Embrapa é financiado para 23 mulheres, que lideram o processo produtivo.
Segundo ele, o Sisteminha Embrapa permite a produção de alimentos de forma sustentável para famílias de quatro a cinco pessoas, que inclui criação de peixes, criação de frangos para corte, criação de galinha para postura, uso de compostagem , plantio de verduras, legumes, plantio de milho, plantio de feijão de forma escalonada.
“O Sisteminha funciona de uma forma que a família tenha alimentos suficientes para seu sustento”, afirmou o professor Luís Galvão.
Efrém Ribeiro
O professor Luís Galvão explica que o Sisteminha consiste em um sistema de produção integrada de alimentos, no qual o núcleo do sistema é a criação de tilápias, que busca alimentar uma família de cinco pessoas.
“Com a produção de peixes, frango de corte, galinha de postura, codorna e produção de hortaliças, de macaxeira, feijão, milho e tudo aquilo que é necessário para uma família. O Sisteminha foi desenvolvido com o objetivo de alimentar uma família de cinco pessoas”, explicou Luís Galvão.
As famílias beneficiadas com o Sisteminha Embrapa vivem da agricultura familiar, e conforme Luís Galvão, as famílias podem vender os produtos que excedem, quando superam a quantidade da alimentação. “A princípio é um projeto para a segurança alimentar. Primeiro mata a fome da família e, depois, o excedente pode ser vendido”, falou Galvão.
Tanque de tilápias produz nutrientes para as plantas
O núcleo do Sisteminha da Embrapa é o tanque de tilápias porque produz os nutrientes para as plantas, já que a água do tanque é usada e evita a decomposição das fezes dos peixes e do resto de ração, que alimentou as tilápias. A água do tanque está enriquecida com tudo o que é necessário para a produção vegetal. Essa água enriquecida de nutriente é usada na irrigação das culturas, que são plantadas no sistema de escalonamento.
Em uma semana, a família planta uma determinada cultura, na semana seguinte repete. Por exemplo, a família vai plantar feijão em três, quatro fileiras, na semana seguinte, repete e planta mais três a quatro fileiras de feijão, na terceira semana planta mais três a quatro fileiras de feijão. Quando a primeira fileira plantada estiver pronta, a família pode consumir ou vender o feijão produzido, na semana seguinte vai ter mais feijão pronto para consumir.
Crédito: Efrém Ribeiro
“Se a família manter esse escalonamento, nunca vai faltar alimentos em sua mesa, tanto alimentação animal como vegetal”, afirmou Luís Galvão. 
Frango
No caso da criação de frango de corte e frango de postura, a lógica é a mesma. É feita de forma escalonada. Os frangos são alimentados pelo milho produzido no Sisteminha Embrapa. O milho vai ser oferecido aos frangos de corte e galinha de postura e a codorna.
“O ciclo é o seguinte: como a plantação é escalonada, nunca deixa de existir o alimento”, adiantou.
No Sisteminha Embrapa, o frango de corte ocupa quatro baias. São 15 pintos para cada baia, em um período de 15 a 15 dias. Na primeira baia, a família coloca 15 pintos, passa 15 dias, coloca 15 pintos na segunda baia, com mais 15 dias, a família coloca mais 15 pintos e, 15 dias depois, vai colocar 15 pintos na quarta baia. Quando a família colocar 15 pintos na quarta baia, os frangos da primeira baia já têm 45 dias.
Cada família recebe R$ 5 mil para implantar o sistema em casa
O geólogo José Iran, secretário municipal de Agricultura e Desenvolvimento Econômico de José de Freitas, afirmou que o forte que aconteceu no Assentamento 22 de Maio, que aconteceu nos últimos meses, foi a liberação de recursos durante a Caminhada das Margaridas em Brasília, onde foram disponibilizados R$ 5 mil para cada mulher dos assentamentos.
“Os recursos ficaram ‘dormindo’, mas nós conseguimos liberar os R$ 5 mil para mulher assentada para a criação de frangos de corte, galinha para por ovos, para a produção de suínos, para a produção de caprinos e ovinos”, falou José Iran.
Segundo ele, cada mulher teve a liberdade para escolher o seu projeto e forma de produção.
Dos R$ 5 mil liberados, a mulher paga, após 12 meses, apenas R$ 1,1 mil do empréstimo, como se fosse uma contrapartida, um valor muito abaixo do dinheiro recebido.
José de Freitas tem 23 assentamentos e foram destinados R$ 2 milhões. 
Família se prepara para vender ovos de galinha caipira 
O casal Maria Dalva Alves da Purificação e José Renato Silva Borges, de 39 anos, têm em seu lote de terras no Assentamento 22 de Maio, na zona rural de José de Freitas, um Sisteminha da Embrapa, que não apenas melhorou a alimentação de sua família, também formada pelos filhos Renan Alves da Silva, 12, Irisdalva Alves da Silva, cinco anos, como vende parte de sua produção.
Crédito: Efrém Ribeiro
Agora, Maria Dalva e José Renato estão se preparando para certificar e embalar os ovos das galinhas caipiras que criam, onde vão colocar o selo de alimentos orgânicos.
As galinhas produzem muitos ovos, que Maria Dalva coloca em grandes bacias, e quando receber as caixas vai vender os ovos para o mercado, inclusive para a merenda das escolas públicas de José de Freitas.
O casal tem 120 galinhas, sendo 30 galinhas poedeiras, que produzem de 280 a 300 ovos por ano.
Crédito: Efrém Ribeiro

“Nós batizamos as galinhas de Isa Brown, que é a raça delas, conhecida como caipirão”, falou Maria Dalva.
“A grande vantagem do Sisteminha da Embrapa é antes dele eu não consumia peixe. Quando consumia, era muito pouco, porque precisa comprar. Agora eu tenho peixes para consumir dois, três dias da semana. Eu tenho a galinha de corte, que eu também consumo, e os ovos que consumo também. São três tipos de alimentos de boa qualidade que minha família tem à disposição e que produzimos”, falou José Renato.
Ele falou que vende 30 galinhas por mês.
Na primeira produção do Sisteminha da Embrapa, Maria Dalva e José Renato venderam R$ 460,00 de alimentos excedentes em relação ao consumo de sua família.
“Foi primeiro plantel de 30 pintos, que viraram 30 galinhas caipirão, que eu vendi na comunidade. Isso ajuda muito na renda da família”, falou José Renato, que mostrou que no Sisteminha planta hortaliças, mamão, banana, maracujá, macaxeira.
“O Sisteminha melhorou muito a nossa vida, principalmente para nós comer. Antes, a gente só comprava, agora temos o que tirar daqui e dá para vender um pouquinho, tirar o lucro”, falou Maria Dalva.
 Sisteminha da Embrapa é solução tecnológica de segurança alimentar
O Sisteminha da Embrapa constitui-se em um sistema integrado para produção de alimentos, desenvolvido para gerar segurança e soberania alimentar para seus usuários. O elemento central da solução tecnológica é a criação de peixes, em um tanque, com sistema de recirculação e filtragem.
O Sisteminha da Embrapa tem como principais vantagens o baixo custo de investimento inicial; é uma solução integrada, que pode ser facilmente adaptada às necessidades, experiência, preferências do produtor e condições edafoclimáticas e de mercado local.
É apropriada para pequenos espaços, a partir de 100 metros quadrados, em áreas urbanas e rurais; e é uma solução dimensionada para atender às necessidades nutricionais de uma família de quatro pessoas a cinco pessoas, no atendimento às recomendações nutricionais da Organização Mundial da Saúde (OMS).
A tecnologia é fundamentada em quatro princípios: a miniaturização, replicabilidade, escalonamento da produção e segurança alimentar e nutricional.
O tanque pode ser construído de forma artesanal, com materiais disponíveis na localidade (madeira, adobe, papelão, palha, pedra, pneu), de alvenaria, placas pré-moldadas ou outros materiais.
O Sisteminha possui atualmente 15 módulos, sendo eles: 1. Produção de peixes, 2. Produção de ovos de galinhas; 3. Produção de frangos de corte; 4. Produção de minhocas; 5. Produção vegetal (carboidratos, hortaliças, chás e temperos; frutíferas e madeireiras); 6. Produção de composto; 7. Produção de ovos de codorna; 8. Produção de porquinhos da índia; 9. Aquaponia; 10. Produção de larvas de moscas; 11. Produção de ruminantes; 12. Produção de suínos; 13. Biodigestor; 14. Sistema de tratamento de água potável; 15. Carvoaria artesanal.
O Sisteminha Embrapa não é uma tecnologia isolada em si, mas um pacote de soluções tecnológicas integradas, com muitas possibilidades de combinações.
O módulo básico é a piscicultura e cada produtor adota os módulos disponíveis de acordo com seus interesses. A tecnologia desenvolve-se aos moldes da inovação aberta, com a forte participação dos beneficiários moldando o desenvolvimento e evolução da tecnologia.
Esta solução tecnológica foi desenvolvida pela Embrapa em parceria com outras instituições.

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