Copom sinaliza corte dos juros em março

Copom sinaliza corte dos juros em março

leandro santos
0

 


economia ilustração 2
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo
© MARCELLO CASAL JR/AGÊNCIA BRASIL/ARQUIVO

O Comitê de Política Monetária indicou um corte com serenidade na taxa de juros em março, de acordo com a ata da última reunião divulgada nesta terça-feira (3) pelo Banco Central. No encontro dias 27 e 28 de janeiro, foi mantida a Selic em 15% ao ano.

O documento traz que a queda recente da inflação e sinais do impacto da política monetária abriram espaço para o Copom sinalizar um corte. No entanto, fatores que pressionam preços como mercado de trabalho aquecido, fazem com que o patamar dos juros precise continuar elevado por mais tempo. Por isso, segundo o Copom, o tamanho e a velocidade do corte vão depender de mais informações que permitam uma análise mais precisa das tendências.

O professor de economia da UnB, José Luiz Oreiro, questiona quais tendências são essas: de inflação ou de atividade econômica?

"Talvez seja o que o Copom quis dizer, é que não há como identificar tendências de desaceleração do nível de atividade econômica. Aí eles podem ter alguma razão, mas eles estão supondo que o comportamento da inflação se deve a um excesso de demanda. Quando não é o caso. A inflação caiu a partir de maio de 2025 de forma consistente devido à queda do preço dos alimentos e da energia. Não tem nada a ver com excesso de demanda".

O professor Hugo Garbe, da Universidade Mackenzie, acredita que o Banco Central é conservador em excesso, o que prejudica a economia e investimento.

"O Banco Central já poderia ter reduzido pelo menos em um ponto ou um ponto e meio percentual da taxa Selic já há algum tempo, mas ele vem resistindo na sua decisão. De fato, o Brasil hoje tem a maior taxa de juros real do mundo e eu honestamente não concordo com uma postura tão conservadora assim. Eu acho que essa postura só prejudica a economia real, trava investimentos, encarece o crédito".

O texto defende ainda a necessidade de reformas estruturais e disciplina fiscal para ajudar na redução da inflação. A ata ainda destaca o ambiente econômico externo, que continua incerto por causa das políticas dos Estados Unidos que impactam as finanças globais.

*Texto atualizado para acréscimo de informações, às 12h50.

Tags

Postar um comentário

0 Comentários

Postar um comentário (0)

#buttons=(Tá bom, aceito!) #days=(20)

Aceite nossos termos de uso para melhor experiência! Leia aqui
Ok, Go it!