A desconfiança se dá porque os tremores registrados provavelmente condizem com a explosão de uma bomba atômica, ou bomba A. Esse tipo de bomba, como a que foi jogada sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki durante a II Guerra Mundial, utiliza o princípio da fissão nuclear e funciona por meio da fragmentação de átomos como urânio e plutônio. O poder da bomba de urânio lançada sobre Hiroshima foi de cerca de 15 quilotons (1 quiloton equivale a 1 000 toneladas de dinamite) e a da bomba de Nagasaki, de plutônio, de aproximadamente 21 quilotons.
Já a bomba de hidrogênio, que foi detonada pela primeira vez em um teste americano nas Ilhas Marshall, no Oceano Pacífico, em 1952, consegue sua energia a partir da fusão nuclear, ou seja, ela funde átomos de hidrogênio em um processo semelhante ao que ocorre no centro do Sol para gerar a energia e luminosidade do astro. Por isso, esse tipo de arma exige muita energia para ser detonada e utiliza uma bomba de fissão (a bomba atômica) como gatilho. A bomba de hidrogênio, também conhecida como bomba termonuclear, requerer tecnologia e engenharia sofisticadas e produz explosões que são milhares de vezes mais poderosas que as de uma bomba atômica convencional. Para se ter uma ideia de seu poder, a maior bomba de hidrogênio que já explodiu, a soviética "Tsar Bomba", detonada em 30 de outubro de 1961 acima do Ártico, gerou uma energia de 57 megatons (1 megaton equivale a 1 milhão de toneladas de dinamite), quase 4.000 vezes mais do que a bomba de Hiroshima.
Por isso, os especialistas acreditam que a explosão da bomba de hidrogênio em miniatura anunciada pela Coreia do Norte provavelmente chegou apenas ao primeiro estágio - a da detonação da bomba atômica que serve de gatilho para a bomba H. Segundo Crispin Rovere, um especialista em política nuclear e controle de armamentos baseado na Austrália, o terremoto de magnitude de 5,1 detectado nas instalações norte-coreanas de Punggye-ri é muito pequeno para uma bomba como a que Pyongyang anunciou. "Os dados sísmicos que recebemos indicam que a explosão está provavelmente abaixo do que se poderia esperar do teste de uma bomba H", disse Rovere. "Parece como se tivessem realizado com êxito o teste nuclear, mas sem completar a segunda fase, a da explosão de hidrogênio.