Em São João do Piauí, "quem não vota no prefeito é punido"

Em São João do Piauí, "quem não vota no prefeito é punido"

leandro santos
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WhatsApp Image 2016-12-03 at 20.27.55.jpegPor Apoliana Oliveira
“(...) Aqui é o seguinte, quem não vota no prefeito é punido”.
A citação acima é do comerciante Antonio Edvaldo Ribeiro da Silva, conhecido na cidade de São João do Piauí pelo apelido de Joari, e foi dita enquanto conversava com o 180graus sobre a notificação que recebeu da prefeitura o impedindo de comercializar bebidas dentro do estádio municipal João de Deus Lima. Encaminhada logo após as eleições de 2016, a notificação é, para o comerciante, uma forma do prefeito Gil Carlos (PT) retalhar sua decisão de não ter nele votado.
Seu Joari tem o bar há mais de 30 anos, e diz ter recebido autorização do ex-prefeito Zé Paulo de Sousa para abrir uma janela do comércio voltada para o espaço do campo. A própria casa é feita no muro do estádio.
A relação do comerciante com o público que vai à praça esportiva é antiga, e sua boa vontade serve até mesmo aos atletas. “Não é bom só pra mim, aqui dou água a quem tá com sede, já levei gente com perna e braço quebrado para o hospital... como não tem cobertura no estádio, as pessoas vêm chegando e eu dou cadeira, mesa, aos jogadores forneço água, gelo. E ninguém me pediu para fazer isso”, conta.
- Seu Joari, ao lado da janela hoje fechada após notificação da prefeitura
RETALIAÇÃO?
Considerando o tempo em que atuava com a venda do estádio e o repentino impedimento, para o comerciante, a notificação é uma retaliação a sua decisão de não votar em Gil Carlos na última eleição. Perguntado objetivamente sobre qual prefeito mandou fechar a janela do comércio, seu Joari responde: “O atual, porque eu não votei nele, Gil Carlos. Na verdade, aqui é o seguinte, quem não vota no prefeito é punido”.
A notificação assinada pelo Diretor de Esportes da Secretaria Municipal de Cultura Esporte e Turismo de São João do Piauí, Tito Lívio Dias Piauí segue assinada ao dia 20 de outubro de 2016, ainda no mês das eleições. “O advogado disse que não tem validade nenhuma, esse papel aqui”, argumenta o comerciante, que acabou preferindo não brigar com o poder público, já que é funcionário público do Estado.

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