Numa cidade que não tem emprego, o caminho é partir para o tráfico” - Barra d Alcântara News

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11 de set de 2019

Numa cidade que não tem emprego, o caminho é partir para o tráfico”



Os números alarmantes de roubos em Teresina, que registrou uma média de 52 casos por dia no primeiro semestre deste ano, conforme matéria publicada no Jornal O DIA dessa terça-feira (10), levaram a Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP/PI) a lançar o Programa de Combate ao Roubo. Contudo, para o especialista em segurança pública, Benedito Junior, não se deve combater o roubo com prisões; o correto seria incentivar o ensino, ter um plano de emprego e oportunidades para os jovens de baixa renda.


“Numa cidade que não tem emprego, o caminho é partir para o tráfico de drogas, é rápido, barato, isso que gera o crime. Já o usuário, no começo, ele é viciado de graça, depois tem que comprar, e se não tem emprego, ele vai roubar. É um efeito cascata. Não dá pra combater uma coisa e esquecer das outras, tem de ser uma política pública de escolaridade, emprego, combate ao tráfico de drogas”, defende o especialista.

Benedito explica que, ao desistir de estudar, o jovem procura o meio mais fácil para conseguir dinheiro. Seja com trabalho informal ou na prostituição, no caso das meninas. Portanto, o crime tem que ser observado de outro viés, possibilitando um futuro para os adolescentes.


“Em Teresina têm várias escolas fechando por falta de aluno. Mas não é que não tenha jovem, é porque perderam o interesse, porque acreditam que não podem competir com o ensino das escolas privadas. Então, o adolescente sai da escola e vai para o trabalho informal, ser flanelinha. Já as meninas vão vender o corpo para consumir drogas”, argumenta o especialista. 

Benedito Junior diz que adolescentes fora da escola, sem emprego são alvos fáceis para o tráfico - Foto: Arquivo O Dia


Subnotificação dos casos

Apesar das estatísticas divulgadas Secretaria de Segurança Pública do Piauí já serem alarmantes, o especialista em segurança pública, Benedito Junior, acredita que os números sejam ainda maiores.

“O roubo é o crime que mais ofende a sociedade e talvez tenha menos estatísticas. Muita gente é roubado e não vai nem na delegacia. Então, é possível que o grau de violência em Teresina seja maior que as estatísticas”, pondera.

Sistema penitenciário

Outra problemática que se destaca nesse cenário de violência é o sistema penitenciário. No Brasil, até julho deste ano, o cadastro de Banco de Monitoramento de Prisões, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), tinha mais de 800 mil presos. Sendo que, 41,5% deles, ou seja, 337.126 pessoas, são presos provisórios.

De acordo com Benedito Junior, essa realidade é motivada pelas prisões preventivas, em que a pessoa espera muito tempo para ser julgada. “Já se fala em uma crise do sistema penitenciário, temos que agilizar o julgamento; às vezes, o preso fica esperando na cadeia. Então, é preciso liberar ou dar a pena que merece”, pontua o especialista, acrescenta que a maioria dos presos são pessoas com baixa escolaridade, jovens do sexo masculino, negros e com situação de vulnerabilidade maior.

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