A produção de soja no Sul do Piauí tem alavancado o Produto Interno Bruto (PIB) do Estado. Todavia, as cidades com maiores índices não recebem investimentos em estradas e energia elétrica, que são os principais recursos necessários para escoar a produção e fazer com que ela chegue às prateleiras dos mercados. É o que reclama o presidente da Associação dos Produtores de Soja do Estado do Piauí (Aprosoja), Alzir Neto.
A todo momento a gente tem acionado as autoridades, os deputados. Estamos pedindo a eles que tenham sensibilidade com um setor que cresce de forma extraordinária. Se você pegar o PIB, demostra o que estou falando, mas estamos aguardando. O Sul do Estado deve ser encarado como investimento, não estamos falando em custo, pois cresce a arrecadação do Estado, cresce a quantidade de postos de trabalho, e isso é o que é importante”, destaca.

A safra de soja em 2019 foi boa para os agricultores do Piauí. (Foto: Jailson Soares/O Dia)
Segundo Alzir Neto, o Piauí registrou crescimento do PIB superior à média nacional, fruto do agronegócio que cresceu 211% - dados da Fundação Centro Pesquisas Econômicas e Sociais do Piauí (Cepro) e do Índice Firjan de autonomia dos municípios de 2018. Mas esse número poderia ser maior, pois, segundo o presidente da Aprosoja, estradas como Transcerrados e PI-392 estão cheias de buracos. A situação tem causado acidentes e a troca frequente de peças de caminhões, um custo a mais para o produtor.
“As nossas serras praticamente não têm estradas pavimentadas e, nesse período de chuva, complica ainda mais. É muito crítica a situação da Transcerrados e da PI-392, que são os dois principais gargalos para viabilizar o escoamento”, lamenta Alzir Neto, acrescentando que a Associação tem mostrado a realidade para as autoridades, inclusive do significativo crescimento do setor, que antes representava 5% e hoje é quase 10% da receita do Estado.
O município de Baixa Grande do Ribeiro, por exemplo, foi a cidade que teve maior PIB per capita no Estado em 2017, com R$ 65.454,41 - valor 4,6 vezes maior do que o PIB per capita estadual, que é de R$ 14.089,78. Além disso, dos dez maiores PIBs per capita em 2017, oito tinham como principal atividade a agropecuária; foram eles: Baixa Grande do Ribeiro, Uruçuí, Guadalupe, Ribeiro Gonçalves, Bom Jesus, Santa Filomena, Currais e Sebastião Leal, todos localizados na região do cerrado. Essas cidades têm como principal cultura agrícola a soja e o milho, exceto Guadalupe, onde a exploração foi maior na fruticultura.
Já Uruçuí, por exemplo, ficou em 5º lugar no PIB piauiense e é a única cidade, além da capital piauiense, que possui autonomia financeira. A Fundação Cepro divulgou ainda que quatro dos dez municípios da região Sul são responsáveis por 62,2% da riqueza gerada no Piauí, sendo eles Floriano, Uruçuí, Bom Jesus e Baixa Grande do Ribeiro.
Produtores gastam até 40% a mais com transporte
A falta de infraestrutura é um problema antigo do cerrado do Piauí. O agricultor piauiense tem um custo de produção maior que o de outras regiões por causa do transporte de insumos e grãos. Os custos podem variar de 20 a 40% a mais do que de outras regiões produtoras de milho e soja, pois esta despesa depende da localização da fazenda e da qualidade do acesso. Além das estradas, o presidente da Aprosoja, Alzir Neto, lembra que a energia elétrica também merece atenção do poder público.

Presidente da Aprosoja, Alzir Neto. (Foto: Assis Fernandes/O Dia)
“Outra área que merece investimento é a energia, o setor primário, ele é o setor que é a base de tudo. Temos possibilidade de expansão para a agroindústria muito forte, mas só vem se tiver estrutura mínima, que é estrada e energia. Se a gente está falando em crescimento de 250%, a partir do momento que você vincular ao setor primário, nós falamos em mais crescimento significativo”, pondera Alzir Neto.