Pesquisa feita no Piauí descobre poder cicatrizante do pólen da abelha

Pesquisa feita no Piauí descobre poder cicatrizante do pólen da abelha

leandro santos
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As pesquisas dos cientistas que estão fazendo suas teses de doutoramento em Biotecnologia pela Rede Nordeste de Biotecnologia (Renorbio), da qual faz parte a Universidade Federal do Piauí (Ufpi), estão fazendo descobertas que podem revolucionar a produção de medicamentos e cosméticos.
A cientista Josyanne Araújo Neves, em sua pesquisa que serviu de base para sua tese “Caracterização e investigação da atividade gastroprotetora e cicatrizante do pólen de pote da abelha sem ferrão Melipona compressipes fasciculata Smith, 1854 (Hymenoptera, Apidae, Meliponinae)”, apresentada para obter o título de doutora junto à Renorbio, descobriu que o pólen de pote da abelha sem ferrão, muito comum no Piauí, tem propriedades gastroprotetora e cicatrizante.
Crédito: Eugênia Ribeiro
Josyanne Araújo Neves afirma que a úlcera gástrica é um dos principais distúrbios gastrointestinais e, devido aos fatores ulcerogênicos, como radicais livres, ainda constitui um grave problema de saúde.
Segundo ela, a úlcera gástrica é uma doença de difícil cura, uma vez que a maioria dos medicamentos aplicados na terapêutica está associada a efeitos colaterais e à má qualidade de cicatrização, causando a recidiva da úlcera.
Josyanne Araújo Neves falou que, nesse contexto, a busca por terapias com menores efeitos colaterais e por agentes capazes de conferir proteção auxiliar contra a úlcera gástrica continua, e estudos têm se voltado para produtos naturais de origem animal.
Josyanne Araújo Neves ensina que o pólen de pote de abelhas sem ferrão é um produto natural muito apreciado na cultura popular, como alimento e medicamento, e apresenta rica composição de nutrientes e bioativos, contudo é pouco investigado.
De acordo com a cientista, por possuir antioxidantes, principalmente fenólicos, pode ser especialmente útil frente a doenças em que radicais livres estão envolvidos.
Por isso, Josyanne Araújo Neves realizou sua pesquisa com o objetivo de fazer a caracterização, por meio de análise palinológica, antioxidante e fenólica, do pólen de pote da abelha sem ferrão, bem como investigar sua atividade gastroprotetora e cicatrizante.
Crédito: Magda Cruciol
Índice de cicatrização chegou a 97%
As pesquisas foram feitas com ratos. Foram coletadas, diretamente em colmeias, amostras de pólen de pote em duas estações: uma estação chuvosa e uma estação seca.
Josyanne Araújo Neves informou que a caracterização palinológica, que vem da parte da botânica que estuda os grãos de pólen, esporos e outras estruturas com parede orgânica ácido-resistente, conjuntamente chamados palinomorfos, revelou origem botânica variada, com predomínio de tipos polínicos de espécies da família Fabaceae, uma das maiores famílias botânicas, conhecida anteriormente como Leguminosae, com uma larga distribuição geográfica. É subdividida em três subfamílias.
Crédito: Agência Embrapa
Josyanne Araújo Neves disse que os porcentuais de cicatrização foram, respectivamente, 36, 85 e 97%.
Ela concluiu que, conjuntamente, os resultados demonstraram que o pólen de pote de abelha sem ferrão possui atividade gastroprotetora e cicatrizante, sendo potencial agente preventivo ou terapêutico de úlcera gástrica, podendo ser aplicado em produtos biotecnológicos, alimentícios ou farmacêuticos.
Josyanne Araújo Neves possui graduação em Tecnologia de Alimentos (2007) pelo Instituto Federal do Piauí (IFPI) e em Ciências Biológicas (2010) pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), especialização em Controle e Qualidade de Alimentos (2009) pelo IFPI e mestrado em Alimentos e Nutrição (2013) pela UFPI.
Atualmente é doutora pelo Programa Renorbio (Rede Nordeste de Biotecnologia) e professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA). Tem experiência na área de Ciência de Alimentos, com ênfase em compostos bioativos, produtos apícolas, microbiologia de alimentos, análise sensorial e desenvolvimento de produtos.
Cientista desenvolve filtro solar de extratos de caroá
Em suas pesquisas para a produção de sua tese de doutoramento em Biotecnologia da Rede Nordeste de Biotecnologia (Renorbio), o cientista Francisco Alberto Alencar Miranda desenvolveu um filtro solar a partir de extratos de caroá (Neoglaziovia variegata), e titânia mesoporosa.
O caroá é uma planta da família das bromeliáceas, nativa do Nordeste. Possui poucas folhas lineares e acuminadas, dispostas em roseta, inflorescência laxa com 25 centímetros de comprimento e com até 60 flores, de sépalas vermelhas e pétalas purpúreas. Suas folhas fornecem longas fibras, de grande resistência e durabilidade. Também é conhecido pelos nomes de carauá, caruá, caroá-verdadeiro, coroá, coroatá, crauá, croá e gravatá.

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