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14 de abr. de 2020

Quatro mil empresas prometem não demitir

Foto:Yala Sena


Mais de 4 mil empresários assinaram até o início desta semana um manifesto em que se comprometem a não cortar funcionários por ao menos dois meses, apesar dos reflexos da pandemia da covid-19 na economia. Ainda que o abaixo-assinado, publicado há mais de dez dias, não tenha valor jurídico, apenas simbólico, a expectativa dos organizadores é preservar até 2 milhões de empregos.

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Criado no último dia 3, por iniciativa da Ânima Educação, o site naodemita.com conta com assinaturas de empresas de grande porte, como as varejistas Magazine Luiza e GPA (das redes Pão de Açúcar e Extra), os bancos Santander e Itaú Unibanco e fabricantes de cosméticos, como Natura e Boticário.

Quando a ideia surgiu, 40 empresas se interessaram pela iniciativa, conta o presidente do conselho da Ânima Educação, Daniel Castanho, que lançou o projeto. A empresa tem mais de 8 mil colaboradores.

Nos dias seguintes, Castanho passou a estimular empresas de todos os portes a aderirem.

"Escrevi um manifesto, mas o número de pessoas que se interessaram foi tão além das expectativas que acabou virando um movimento", conta o executivo. "A ideia era provocar outras empresas. A responsabilidade do empresário é fazer com que o impacto na economia agora seja o menor possível."

Como o valor do abaixo-assinado é simbólico, quem aderir e descumprir corre o risco de ser exposto nas redes sociais pelos próprios funcionários, diz Castanho. "Mas a intenção de todos é positiva. As empresas têm de entender que fazem parte de um ecossistema em que a saúde de todos os negócios depende da manutenção dos empregos."

No início do mês, o Santander divulgou estudo prevendo que o pior momento da crise econômica no mercado de trabalho deve acontecer no fim do segundo trimestre.

O banco é um dos que assinam o manifesto. "Em 23 de março anunciamos nosso compromisso público de não demitir funcionários durante o período crítico da pandemia. Na semana anterior, já havíamos divulgado a decisão de antecipar todo o 13.º de nossos funcionários para pagamento em 30 de abril", conta Vanessa Lobato, vice-presidente de Recursos Humanos do banco no Brasil.

O "Não Demita" ocorre na contramão da postura de empresários como Junior Durski, dono da rede de restaurantes Madero, que declarou logo no início das medidas de isolamento social que cortaria mais de 600 funcionários por causa da perda de faturamento causada pela pandemia da covid-19.

Readequação

Já é esperado que a crise causada pela pandemia tenha impacto profundo na atividade econômica do País. Um relatório divulgado pelo Banco Mundial aponta que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve cair 5% este ano, o pior resultado em 120 anos.

A pandemia adiou projetos e fez com que as empresas brasileiras lançassem mão do caixa para evitar cortar funcionários.

Segundo Castanho, da Ânima, é preciso reforçar que as medidas de isolamento social, recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) são importantes, mas que a crise será superada e as empresas devem rever a estrutura de custos, ver as medidas anunciadas pelo governo que podem auxiliar e abrir mão dos resultados deste trimestre, para evitar demitir.

"Da mesma forma que é impossível ter um isolamento de 100% e vários serviços precisam continuar, nem todo mundo vai poder deixar de demitir. Mas quem pode manter empregos deve honrar tanto o compromisso que tem com as pessoas que trabalham na sua empresa quanto o que já havia sido acordado com fornecedores, para não ter demissão indireta."

O executivo também lembra que, além do compromisso social, as empresas que aderirem ao "Não Demita" devem ser recompensadas pelo consumidor quando a crise passar e que a relação com os próprios funcionários deverá ser melhor.

No caso da calçadista Bibi Calçados, as últimas semanas têm sido de faturamento quase zero. Ainda assim, a empresa reviu custos de produção, abriu mão de projetos que havia desenhado no início do ano e assinou o manifesto para não demitir seus mais de 1,2 mil funcionários durante a pandemia.

"A partir desta semana, parte dos funcionários em férias coletivas vão ter jornada reduzida e uma parte contrato de trabalho suspenso. Estamos usando esse reforço, previsto pelo governo, agora, e a prorrogação de impostos também. A intenção é evitar ao máximo demitir", diz Andrea Kohlrausch, presidente da fabricante gaúcha.

Com 900 funcionários, a Cultura Inglesa adotou o trabalho remoto e as licenças remuneradas durante a quarentena. "Adequamos nosso modelo de ensino ao cenário atual, mudando as aulas presenciais para o formato ao vivo pela internet, sem alterar horários nem professores", conta Marcos Noll Barboza, presidente da escola. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Estadão Conteúdo

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