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29 de mai. de 2021

Plantas carnívoras do Piauí em foco; fotos exclusivas!

 O fotojornalista Moisés Saba Said esperou 15 anos para ter as condições necessárias para fotografar uma planta da espécie Drosera sessilifolia, uma espécie de planta carnívora, que aparece no Parque Nacional de Sete Cidades durante o período chuvoso. As fotos fazem parte de um projeto desenvolvido por ele junto ao Sistema de Incentivo Estadual à Cultura (SIEC)

As sequências de fotografias de Moisés buscam mostrar os dois extremos climáticos da região. “Estou desenvolvendo um projeto sobre o Parque de Sete Cidades. Estou fazendo fotos no inverno e verão. Então fui atrás de imagens que caracterizassem o inverno, como abelhas, floradas e plantas carnívoras. Então, comecei a fazer caminhadas guiadas para encontrar essas plantas, que inclusive estão germinando. As fotos depois serão expostas”, disse. 

Drosera sessilifolia, planta carnívora que ocorre na região do Parque Nacional de Sete Cidades. Crédito: Moisés Saba Said.Drosera sessilifolia, planta carnívora que ocorre na região do Parque Nacional de Sete Cidades. Crédito: Moisés Saba Said.

“As plantas carnívoras são representativas porque elas aparecem no inverno, porque são de brejos, zonas alagadas. Essa foto com luz roxa tem o uso do ultravioleta para dar um efeito" - Moises Saba Said.

Ele explica o processo de produção das fotografias. “As plantas carnívoras são representativas porque elas aparecem no inverno, porque são de brejos, zonas alagadas. Essa foto com luz roxa tem o uso do ultravioleta para dar um efeito. Fizemos muitas caminhadas com mochilas de equipamentos até os pontos onde elas aparecem. Precisei usar lentes macro e luz apropriada para fotografar desse jeito. Há 15 anos queria fazer essa foto, porque tinha visto e ouvia muito falar. O projeto chegou, fui atrás e tive êxito”, revela. 

Espécie piauiense tem armadilhas colantes 

Paulo Gonella, doutor em botânica e professor da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), é expert em plantas carnívoras. Ele explica porque essas plantas possuem o hábito de capturar pequenos animais. “As plantas carnívoras habitam regiões de solos pobres de nutrientes. Por habitarem em locais quase sem nitrogênio e fósforo, elas complementam a carência nutricional capturando pequenos animais, geralmente insetos. Essas espécies produzem enzimas digestivas que quebram as moléculas desses organismos e absorvem o que precisam”, explica. 

No mundo, existem cerca de 860 espécies de plantas carnívoras, e o Brasil tem o segundo maior volume de espécies, com 130 tipos conhecidos, perdendo apenas para a Austrália. “As plantas carnívoras estão em todo o Brasil, embora Minas Gerais e Amazonas concentrem mais espécies. Algumas são relativamente comuns, mas são desconhecidas por não serem tão chamativas. Temos a Drosera communis, que como o nome sugere, é bastante comum e Utricularia subulata, que também ocorre em todos os Estados. São plantas pequenas que ocorrem em ambientes específicos”, revela.
Professor Dr. Paulo Gonella, acompanhado de uma Drosera magnifica. O especialista contribuiu com o descobrimento da espécie, que é considera a maior planta carnívora do Brasil. Crédito: arquivo pessoal/reprodução.Professor Dr. Paulo Gonella, acompanhado de uma Drosera magnifica. O especialista contribuiu com o descobrimento da espécie, que é considera a maior planta carnívora do Brasil. Crédito: arquivo pessoal/reprodução.

A espécie piauiense usa uma superfície colante para capturar pequenos insetos volantes. “Os insetos mais capturados variam do tipo de armadilha das plantas. Dentre os gêneros mais comuns no Brasil, o gênero Drosera, como a Drosera sessilifolia (fotos), que têm armadilhas colantes, capturam moscas, formigas e outros animais pequenos. Outros gêneros, como o Utricularia, que tem armadilhas subterrâneas, capturam micro invertebrados, como crustáceos que vivem no solo. Já as Nepenthes capturam borboletas, mariposas e até pequenos vertebrados, como roedores e pássaros. Mas quando elas capturam animais maiores, é meio que um acidente. Eles são atraídos pelos animais capturados pelas plantas e acabam caindo ali. Isso, por vezes, prejudica a planta, porque eles perdem a armadilha em razão da captura acidental”, aponta o professor universitário.

Cultivo é considerado hobby

O cultivo de plantas carnívoras é um hobby de muitas pessoas no Brasil. “Temos algumas espécies que são comuns no cultivo, como a Dionaea, que é aquela que fecha a folha para capturar os animais, mas ela é natural da América do Norte. Temos as Nepenthes, que tem jarrinhos, que são da Ásia e Norte da Austrália. Então as mais conhecidas são de fora, embora tenham muitas no Brasil que não sejam tão conhecidas”, acrescenta Paulo Gonella. 

O cultivo das plantas carnívoras varia de acordo com o tipo de planta. “Existe uma diversidade enorme de plantas carnívoras que depende de cuidados específicos. Mas em geral, o erro comum, é não oferecer luz e água suficientes. Algumas plantas como as Dionaea, precisam de locais bastante úmidos e expostos ao sol. É importante colocar algum prato de água com proteção para não atrair o mosquito da dengue. Em geral, evita-se o adubo, pois é de solo pobre. Utiliza-se musgo e areia de substrato”, finaliza o doutor em botânica.

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