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15 de nov. de 2021

Tite rejeita clima de guerra no clássico e pede força mental à seleção

 A seleção brasileira enfrenta a Argentina nesta terça-feira (16), às 20h30 (de Brasília), no estádio Bicentenário, em San Juan.

Foto - Lucas Figueiredo - CBF

Apesar de o Brasil já ter garantido sua classificação para a Copa do Mundo de 2022 via Eliminatórias e os argentinos também estarem perto do objetivo, o clássico desta semana tem um peso emocional importante: é o primeiro desde aquele que foi suspenso, em setembro, por causa da violação de normas sanitárias pela seleção argentina.

Em entrevista coletiva, o técnico Tite disse rejeitar a ideia de que se crie um clima de guerra para o jogo da 14ª rodada. "Que nós façamos um grande jogo, que seja um grande espetáculo e que tenha um cunho de dentro do campo", diz.

Apesar do discurso de foco nas quatro linhas, Tite relembrou o incômodo causado pela suspensão do clássico anterior: "É difícil dimensionar isso tudo, não sei a ótica que a Argentina encarou esses fatos todos. 

A minha ótica é de lamentação pelo jogo não ter acontecido. Agora devido à compreensão dos fatos o porquê de não haver. Tenho claro que antes do futebol existe saúde, existem leis e correção dos fatos. Isso tudo aconteceu. Agora como se encara essas situações é bastante particular, próprio e pessoal."

Tite ainda reafirmou uma tese criada antes do jogo contra a Colômbia, vencido por 1 a 0 na quinta-feira passada. Segundo ele, aquele jogo e também o duelo diante da Argentina são "jogos de Copa do Mundo", porque opõem o Brasil a seleções que têm nível para chegar longe no Qatar num contexto em que a vaga já está garantida. Para ganhar mais este desafio, o treinador espera força mental de seu elenco.

"Eu lembrei de Parreira [ex-técnico da seleção], quando ele fala que um jogo de futebol é fundamentalmente a qualidade técnica de seus atletas. Eu acrescento: é a qualidade técnica dos atletas e é também mental, porque nosso corpo responde à nossa cabeça. 

Essa sintonia entre qualificação técnica, capacidade mental e coragem nos enfrentamentos se equilibram naquilo que pode decidir um jogo", disse.

Questionado ainda sobre a falta de estrutura oferecida por San Juan, cujo estádio pode receber apenas 25 mil pessoas, o técnico do Brasil desconversou: "É qualidade individual e o histórico desses grandes enfrentamentos. Sobre local, logística, para mim é secundário pela grandeza do jogo. 

Temos que nos adaptar, porque futebol é lá dentro. A exigência é fazer um grande jogo, independentemente do local. O gramado estando bom é o que buscamos."

O técnico ainda comentou as mudanças no time e afirmou que as modificações não são definitivas. "É uma situação que não quero externar de forma pública.

Foi um treino tático, há essa possibilidade real, e até a confirmação temos um treinamento ainda, a parte de organização tática e bola parada, para estarmos bem preparados e aí a definição da equipe."

Tite disse se sentir muito orgulhoso com os aplausos na Neo Química Arena. "Sei que grande parte do torcedor era um torcedor identificado com o Corinthians, porque era na Arena Corinthians, com todo o passado que tenho. 

Outros também como o Movimento Verde e Amarelo, que tem sido extraordinário conosco. Não só no momento de vitória. Um vence e por vezes tu tem que ter a resignação de reconhecer o outro lado.

É difícil, muito difícil. Não tem ninguém que goste de perder, no alto nível tu sente bastante. Mas tem um limite ético humano e de educação em relação a isso. Grato, grato."

O treinador também comentou o nível do futebol europeu diante das partidas das Eliminatórias disputadas no Velho Continente. "Vemos resultados, por exemplo, da Itália empatando em casa com a Suíça e podendo ir para repescagem, Portugal podendo ficar fora e classificando Sérvia, que estava no nosso grupo [na Copa do Mundo]. 

Então tu vê que não dá para afirmar. Qual o poderio técnico que é maior, sul-americano quando se enfrenta Uruguai, Chile? Nem pego Colômbia e Argentina. Ou é enfrentando Suíça? Eu não sei. Não estou dizendo que é ou não, é, estou dizendo que não sei. 

E enquanto não tiver esses cruzamentos fica difícil ter um parâmetro. Vi Suíça x Itália, fizeram um e poderiam ter feito o segundo jogando lá. Tento ficar projetando situações nossas e é muito difícil na medida em que os enfrentamentos não acontecem. Fica no imaginário."

Fonte: UOL/FOLHAPRESS

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