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12 de fev. de 2024

Personalidades ícones do Carnaval levaram originalidade e irreverência a folia em Teresina

 Por Yala Sena

Para reverenciar figuras icônicas do Carnaval de Teresina, o portal Cidadeverde.com, resgata personalidades importantes para a originalidade, alegria e exuberância nos grandes desfiles das escolas de samba e folia nos blocos de rua da capital. São piauienses que marcaram toda uma geração. 

O portal foi atrás de parentes, amigos e vizinhos de pessoas que ajudaram a construir o Carnaval de Teresina. Conseguimos alguns registros inéditos e flagrantes, além de conversar com alguns deles que ainda fazem história e resistem aos intemperes da vida. A lista é imensa, mas segue aqui alguns personagens:

Lulu Maravilha

Figura histórica, o artista Luiz Gonzaga Barros de Araújo, o Lulu Maravilha, deu cores e exuberância ao Carnaval de Teresina. Autodidata, Lulu desenhava peças carnavalescas, alegorias e acessórios usando brilho, plumas e muito paetês. Seus desenhos eram bastantes esperados no carnaval. Um espetáculo a parte era sua própria roupa que guardava a sete chaves para ser surpresa nos desfiles das escolas de samba. Ele desfilou em várias escolas do Piauí e do Rio de Janeiro.   

Em 2009, Lulu foi homenageado pela Escola de Samba Brasa Samba. Ele amava e ajudava o carnaval. Ele começou antes mesmo do Baile Municipal, quando a prefeitura passou a realizar o carnaval. Antes de acontecer, o Lulu já desfilava no Clube do Tigrão. 

Lulu Maravilha trabalhou durante muito tempo na escola carnavalesca Unidos da Saudade e outras escolas. Além de carnavalesco, Maravilha também era estilista de noivas e debutantes e decorador de eventos, trabalho que fazia durante o restante do ano.

Por coincidência, Lulu morreu em 12 de fevereiro de 2020, em pleno Carnaval, aos 70 anos após complicações da diabetes. 

 

Dona Edith, gogo de ouro da Zigue Zague 

Dona Edith Costa transformou sua residência, na rua Rui Barbosa, Centro de Teresina, em um verdadeiro barracão da escola Zigue Zague. Ela fundou a agremiação e criou um ambiente em que todos se sentiam em casa em meio a adereços. Dona Edith confeccionava as alas, compunha o samba-enredo e ela mesma era interprete e cantava durante os desfiles, impressionando o público com carisma e performance, uma espécie de gogo de ouro e majestade do Carnaval. 

A Zigue Zague estreou no Carnaval em 1985 com o tema “Samba e Folclore”. Era uma escola pequena, no mesmo ano, foi campeã do Carnaval do segundo grupo. 

Um dos destaques da Zigue Zague era a porta-bandeira Dulcinéia Costa, filha de Edith, que chegou a ganhar prêmio por melhor fantasia.  A escola marcou uma época por resistência, criatividade e por ser encontro de foliões. Dona Edth tem hoje 97 anos e é uma referência carnavalesca. 


Kátia Paulo, uma mulher à frente de seu tempo

Ela é pura ousadia. Uma mulher à frente de seu tempo e sua versatilidade lhe rendeu o título de estilista mais original do Nordeste. Quando perguntei sobre o que representa o Carnaval, Kátia não titubeou: “Minha vida sempre foi um Carnaval, adoro folia”.

Kátia assinou figurinos de artistas como Elba Ramalho por cerca de 40 anos e levou glamour, originalidade aos bailes de Carnaval em Teresina e nos clubes mais badalados do Rio de Janeiro. Figura cativa nas maiores festas carnavalescas carioca no Hotel Glória e clubes como Sírio e Libanês e Federal. Katia sempre era convidada para ser jurada para escolher as mais originais fantasias e circulava entre artistas e autoridades. O caminhão das raparigas, que marcou época no Corso, Kátia desfilou com grupo de mulheres que pediam respeito e pela igualdade de gênero. 

Artista plástica, filosofa, a artista tem mil e uma facetas e uma delas é transformar materiais simples em roupas incríveis, que rompeu os conceitos da moda. Ela mora em Teresina,  vive reclusa com a família e trabalha numa exposição biográfica mostrando roupas e imagens que marcaram uma época. 


Manoel Messias, o Jamelão do Piauí

Manoel Messias do Espirito Santo é considerado um dos maiores compositores de samba do Piauí. Ele fazia música para várias escolas e blocos de rua. 

É fundador da escola de samba, Sambão, que nasceu de um movimento liderado por jovens do bairro da Baixa da Égua, no Centro de Teresina, no início dos anos 70. Sambão é considerada uma das maiores escolas com quatro títulos, sendo bi-campeã por duas vezes consecutivas (1976-1977 e 1987-1988).

Manoel Messias tem mais de 50 anos dedicados ao carnaval de Teresina. Além de ter ajudado na criação da Sambão, ficou conhecido como Jamelão do Piauí e tem mais de 100 sambas compostos, entre elas, a música “E botaram fogo no Sambão”, falando de um incêndio que ocorreu na quadra da escola.

Manoel Messias foi homenageado em 2012 pela TV Cidade no programa Talentos do Piauí. Primeiro convidado do quadro "Grandes Sambistas", falou sobre a origem do apelido de Jamelão do Piauí e um pouco sobre sua carreira como sambista.
Em 11 de julho de 2023, Manoel Messias morreu aos 74 anos, vítima de câncer. 

Nicinha, eterna Rainha do Carnaval

Eterna rainha do Carnaval de Teresina, Leonice Ribeiro de Almeida, a Nicinha, levava alegria, descontração e muito samba no pé para a folia da capital. Onde houvesse festa carnavalesca, Nicinha estava lá. Desfilou em todas as escolas de samba da capital e em blocos de rua. É uma figura histórica com sua autenticidade. Com seus óculos de lentes grossas, carregava na maquiagem, brilhos nas fantasias e sambando sem parar, ela era porta bandeira, comissão de frente de várias escolas e blocos de rua. 

Nicinha nasceu em Ipiranja e morava sozinha na rua Firmino Pires, no Centro de Teresina. Devido a sua irreverência e amor pelo carnaval, ela foi homenageada por várias escolas e blocos de rua. 

Desde de 1961, Nicinha desfilava no carnaval e era uma personagem icônica. Em1992, ela morreu em sua residência.   

 

Pereira Falazar 

Falazar é uma espécie de criativo engenheiro do Carnaval. Personalidade que atua há mais de 35 anos desenhando croquis e confeccionando fantasias e roupas para escolas de samba e brincantes que buscam peças exclusivas. Artista plástico, iniciou no carnaval fazendo máscara para foliões de Zé Pereira aos 16 anos. Ele admite que no início não morria de amores por Carnaval, mas foi levado pela magia das decorações e confecções de alas. Falazar ajudou a fundar a escola Batucão, que se concentrava próximo ao Palácio da Música. Ele integrou também as escolas Unidos da Vila, Show Samba, Unidos da Saudade e por anos foi responsável pelos figurinos da Ziriguidum que é pentacampeã do Carnaval de Teresina. Ele é um dos poucos piauienses que fez curso com Joãosinho Trinta, no Rio de Janeiro.  

Pereira Falazar, 63 anos, criou figurinos de várias escolas em outros estados e interior do Piauí. Há quatro anos ajudou a fundar a escola Caprichosos do Pirajá que este ano está com o tema “Respeito”. 

 

Isabelita Kennedy 


Primeira drag queen de Teresina, Isabelita Kennedy, é uma personalidade piauiense que inspira gerações. Nos tempos áureos dos desfiles de escolas de samba, Isabelita levava para a avenida descontração, charme e irreverência. Era difícil ficar alheio aos seus encantos e ousadia, relatam brincantes.  

É uma artista que quebrou tabu, enfrentou preconceito e estava presença nas escolas e blocos de rua como uma marca de existência e alegria de viver. 

Quem dá vida a Isabelita é Jorgina, que desde criança gosta de se montar e fazer performance. Rainha da dublagem, artista se apresentou por vários anos em escolas como Unidos da Saudade, Show Samba e Ziriguidum. Por onde passava era uma festa, repercutia no estado e era aplaudida. Em tempos duros, Isabelita chegou a ser proibida de entrar em casa noturna. Não desistiu e hoje é homenageada por ter coragem de enfrentar a segregação de gênero. Ainda hoje faz show performance e se apresenta em boates e festas. Ela se inspirava em cantoras estrangeiras e abriu portas para outras drags. 


Magnólia 

Magnólia Cardoso, 63 anos, nasceu no berço do samba na tradicional Baixa d´Égua, bairro no Centro de Teresina. Ela iniciou como passista da escola Sambão e como porta-bandeira foi bi campeã na escola.  Sua desenvoltura na avenida chamava atenção e sempre campeã com nota 10 e louvores desfilou ainda como porta-bandeira pelas escolas Unidos do Cabral, Brasa Sambão, Batucão e Ziriguidum. Ela desfilou ainda do carnaval de Barras. Ao lado de Cristina Monte e Brique Waquim formaram o trio de ouro de porta-bandeiras do Carnaval de Teresina.

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