O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, relator da
ação penal da trama golpista, marcou para a segunda-feira que vem o
interrogatório do ex-presidente Jair Bolsonaro e dos demais 7 réus do núcleo
crucial do processo. Ao contrário das oitivas de testemunhas que ocorreram de
forma virtual, o interrogatório dos réus será presencial, na sala de sessões da
primeira turma da corte. Portanto, o ex-presidente Jair Bolsonaro e os demais
réus do caso ficarão frente a frente com o ministro Alexandre de Moraes e com o
procurador-geral da República, Paulo Gonet.
O primeiro a ser interrogado será o colaborador, o tenente coronel Mauro
Cid. Ele fez delação premiada e precisa portanto falar sobre o que for
questionado e pontos que tenham delatado. Os demais réus serão ouvidos por
ordem alfabética e eles não são obrigados a falar. O réu tem direito a
permanecer em silêncio, mas é a oportunidade de explicar e se defender das
acusações da PGR. A advogado criminalista Juliana Bertholdi reforça que é
possível que alguns optem por responder somente às perguntas dos próprios
advogados.
O ministro Alexandre de Moraes ressaltou ainda que para o dia dos
interrogatórios, em que todos estarão presentes, permanecem valendo medidas
cautelares, como a proibição de conversas entre os réus, mas todos poderão
acompanhar os depoimentos da sala da primeira turma do STF. Será a oportunidade
também de Jair Bolsonaro ficar frente a frente com Mauro Cid desde que o
ex-ajudante de ordens fez a delação premiada.
Apenas o general Braga Netto, que está preso, não estará presente. Ele,
no entanto, poderá acompanhar toda a sessão por videoconferência. Após o
interrogatórios dos réus, Moraes deve abrir prazo para as alegações finais,
primeiro com o Ministério Público, depois pela defesa do delator, Mauro Cid, e
por fim os demais réus poderão se manifestar.
Somente depois das alegações finais é que Moraes vai escrever o seu voto
e pedir a marcação do julgamento para decidir pela condenação ou não dos réus.
A expectativa é que esse julgamento ocorra ainda neste ano.
