Neste domingo (06/07) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
(PT) inaugurou a plenária Paz e Segurança, Reforma da Governança Global, um dos
principais debates da 17ª Cúpula do Brics, realizada no Rio de Janeiro. Sob o
lema "Fortalecendo a cooperação do Sul Global para uma governança mais
inclusiva e sustentável", Lula ressaltou que o mundo vive um cenário
marcado por retrocessos e tensões internacionais.
O discurso também abordou o aumento dos conflitos em escala
global, que, segundo o presidente, atingem um número inédito desde a Segunda
Guerra Mundial e alimentam o avanço do terrorismo em diferentes regiões.
Em sua fala de abertura, ele classificou o momento atual como
um colapso sem paralelo do multilateralismo. “Nossa autonomia está em xeque.
Avanços arduamente conquistados, como os regimes de clima e comércio, estão
ameaçados. Exigências absurdas sobre propriedade intelectual ainda restringem o
acesso a medicamentos. O direito internacional se tornou letra morta,
juntamente com a solução pacífica de controvérsias”, afirmou.
17ª Cúpula do Brics (Foto: Reprodução/ Internet)Lula voltou a demonstrar preocupação com a situação humanitária na Faixa de Gaza. Apesar de condenar os ataques do Hamas, ressaltou que a única saída passa pelo reconhecimento do Estado palestino e pelo fim da ocupação israelense. Ele também mencionou as violações contra a integridade territorial do Irã e da Ucrânia.
DESAFIOS GLOBAIS
O Conselho de Segurança da ONU foi outro alvo de críticas.
Para Lula, o órgão reproduz “um enredo de perda de credibilidade e paralisia”,
apesar dos êxitos históricos acumulados ao longo de oito décadas. Ainda assim,
ele defendeu que o Brics tem responsabilidade de impulsionar mudanças: “Se a
governança internacional não reflete a nova realidade multipolar do século 21,
cabe ao Brics contribuir para sua atualização.”
O presidente brasileiro afirmou que fortalecer fóruns
multilaterais é essencial para reduzir os riscos de novos conflitos e enfrentar
os desafios globais. “O mundo está ficando cada vez mais instável e
perigoso.”
A intervenção durou cerca de seis minutos e aconteceu logo
após a recepção oficial aos chefes de Estado e a tradicional fotografia do
grupo com todos os líderes presentes. Ao longo do domingo, ainda estavam
previstas duas sessões plenárias com pautas sobre multilateralismo, economia,
inteligência artificial e segurança internacional. Os debates seguem até
esta segunda-feira (07), quando será encerrada a cúpula no Rio.
Fonte Meio