Foto: Tarcio Cruz/Cidadeverde.com

A Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga os contratos emergenciais de coleta de lixo em Teresina realizou, na manhã desta quinta-feira (11), as oitivas de número 4, 5 e 6. Foram convocados representantes de empresas que atuaram na limpeza urbana da capital e o presidente da Empresa Teresinense de Desenvolvimento Urbano (Eturb).
O gerente da Litucera Limpeza e Engenharia Ltda., Silvaney dos Santos Nascimento, se recusou a prestar depoimento e indicou outro representante. Quem compareceu foi o gerente Edmundo Batista, que se limitou a dizer que só poderia responder sobre questões relacionadas às contratações emergenciais. Diante dos questionamentos dos parlamentares, ele permaneceu em silêncio e, na saída, também evitou falar com a imprensa.
Já o gerente do contrato do consórcio Aurora/Recicle, Eduardo Ribas Santos, também não falou com a imprensa. O gestor durante depoimento admitiu dificuldades na execução dos serviços, mas atribuiu os problemas aos atrasos da Prefeitura de Teresina no repasse dos pagamentos.
Segundo ele, a transição entre a Litucera e o consórcio foi conturbada. “Eu não presenciei essa transição in loco, mas foi uma transição muito traumática da outra empresa para nós. Foi tudo bem via judicial, não teve diálogo nenhum, então provavelmente não tiveram essas tendências entre outros assuntos”, relatou.
O gerente também afirmou que os atrasos da administração municipal impactavam diretamente a folha de pagamento e a continuidade dos serviços. “Nós ficávamos com o caixa de fato muito prejudicado. O atraso do salário vinha porque nós dependíamos do repasse da prefeitura. O repasse da prefeitura nem sempre conseguíamos agilizar. Embora a prefeitura nos ajudasse em alguns momentos, nosso caixa sempre foi muito reduzido, com glosas e descontos em faturas. Nossa folha salarial girava em torno de R$ 6 milhões por mês e nós dependíamos de receber no mês para conseguir pagar nossos colaboradores”, explicou.
A CPI também ouviu, como convidado, o presidente da Eturb, Vicente da Silva Moreira Filho. Ele foi chamado para esclarecer o papel do órgão na transição entre empresas e a atuação da Prefeitura no acompanhamento dos contratos emergenciais e negou irregularidades.
Presente na oitiva, o vereador Joaquim do Arroz (PT) defendeu que a CPI do Lixo compare os números de resíduos das gestões de Dr. Pessoa e Silvio Mendes. Segundo ele, "a população é a mesma, nunca mudou, então não pode em um período entrar tantas toneladas e em outro tantas toneladas". Embora não faça parte da comissão, afirmou que sua sugestão foi aceita. "A CPI aprovou esse direcionamento para que o que foi medido de lixo nos últimos seis meses seja apresentado."
As oitivas desta quinta-feira fazem parte da segunda rodada de depoimentos programados pela CPI, que deve seguir ouvindo gestores e empresários ligados ao setor para apurar responsabilidades sobre falhas na prestação dos serviços de limpeza pública em Teresina.