Em sua primeira longa e exclusiva entrevista, o papa Leão XIV falou abertamente pela primeira vez sobre alguns pontos que ainda geravam dúvida sobre seu papado, especialmente sobre a continuidade das políticas de Francisco sobre mulheres e a população LGBT+.
Leão disse que seguirá nas políticas de integração e de acolhimento da Igreja Católica. Ele destaca que não pelo que as pessoas são ou por terem uma 'identidade específica' e sim por serem 'filho ou filha de Deus'.
O que estou tentando dizer é o que Francisco disse muito claramente quando dizia: todos, todos, todos. Todos são convidados a entrar, mas eu não convido ninguém a entrar porque ele tem ou não uma identidade específica', disse.
A entrevista foi realizada com a jornalista americana Elise Ann Allen para uma biografia do pontífice, que será lançada entre o final deste ano e início do próximo, inclusive em português.
Apesar do destaque sobre a continuidade, o papa destacou que dificilmente a Igreja mudará sua doutrina sobre a questão da homossexualidade e casamento.
'Acho altamente improvável, certamente num futuro próximo, que a doutrina da Igreja em termos do que a Igreja ensina sobre sexualidade, o que a Igreja ensina sobre casamento, mude'.
Leo disse que quer, assim 'como fez o Papa Francisco quando era papa', continuar falando sobre o valor da família como 'ser um homem e uma mulher em compromisso solene, abençoados no sacramento do matrimônio'.
Mas ele completa:
'Todos os indivíduos serão aceitos e recebidos e sem julgamento'.
O pontífice também comentou que a Igreja seguirá cada vez mais aberta a participação de mulheres e que ele também seguirá esse legado estabelecido pelo papa Francisco.
Ele ainda respondeu sobre as buscas de paz dos diversos conflitos do mundo. Leão destacou a guerra na Ucrânia e em Gaza, reafirmando a necessidade de proteger vidas e evitar as 'mortes inúteis' de todos os lados.
'Depois destes anos de mortes inúteis de ambos os lados acredito que as pessoas devem de alguma forma ser despertadas para dizer que existe outra via para resolver a questão', disse.
O papa completa invocando o diálogo como essencial, especialmente utilizando a ONU como um bom meio para isso.
'Em teoria as Nações Unidas deveriam ser o lugar onde muitas dessas questões são abordadas. Infelizmente, parece ser geralmente reconhecido que as Nações Unidas, pelo menos neste momento, perderam sua capacidade de reunir as pessoas em questões multilaterais'.
Fonte CBN