Futebol feminino bate recorde de público no Brasil e mira crescimento com Copa de 2027

Futebol feminino bate recorde de público no Brasil e mira crescimento com Copa de 2027

leandro santos
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Empolgação que ultrapassa a linha do campo e toma conta das arquibancadas, no grito das torcidas. O futebol feminino vive, atualmente, no país um dos seus momentos mais expressivos no quesito popularidade, com estádios lotados de torcedores de todas as idades.


Prova disso foi o primeiro jogo da final do Brasileirão Feminino no último dia 7 de setembro, na Arena Independência, em Belo Horizonte. Mais de 19 mil torcedores lotaram as arquibancadas para assistir ao empate em 2x2 entre Cruzeiro e Corinthians - o recorde, em 2025, do clube mineiro e do próprio estádio.

A atacante Byanca Brasil, uma das craques do Cruzeiro na atual temporada, ressaltou a importância da maior participação do público nos jogos do futebol feminino.


"Digno de uma final, a gente sabia que não seria fácil, mas fizeram mais uma vez mais uma linda festa, histórico pra gente, histórico pra Minas Gerais e histórico para o futebol feminino", disse Byanca.

Fora das quatro linhas, torcedoras contam porque fazem questão de acompanhar o futebol feminino e vibram com o maior interesse do público pela modalidade.


"A atmosfera vibrante criada nos jogos, com a presença de famílias, amigos, crianças e até bebês, foi algo inspirador," relata a engenheira de qualidade Hellen Nascimento.

"A ascensão e o impacto do futebol feminino despertam em mim uma profunda emoção e um imenso orgulho", destaca a estudante de jornalismo Laryssa Barbosa.



"Acreditamos na importância de apoiar o futebol feminino, e a maior motivação é testemunhar a realização de sonhos. Como adolescente, nutria os mesmos anseios que as atletas de hoje, as "meninas guerreiras", que agora transformam seus sonhos em realidade, sonhos que também foram meus. Presenciar essa conquista me enche de imensa satisfação e orgulho. A possibilidade de apoiar e contribuir para esse sucesso é o que mais me impulsiona", diz a auxiliar-administrativo Sofia Ribeiro.


O que explica o crescimento do futebol feminino?


No caso do futebol feminino, o maior interesse dos torcedores está associado, também, à expansão da cobertura da mídia sobre as modalidades esportivas praticadas por mulheres. Um levantamento do Coletivo Marta - Grupo de Pesquisa em Comunicação e Culturas Esportivas - da Universidade Federal de Minas Gerais mostra que, no ambiente digital, houve um crescimento de 330% nas reportagens sobre jogos femininos, nos últimos cinco anos.


Além disso, na televisão, o desempenho também tem sido positivo. A semifinal do Brasileirão Feminino entre Corinthians e São Paulo, por exemplo, cravou dez pontos. Foi o melhor índice da competição neste ano.


Para a pesquisadora e professora da UFMG Ana Carolina Vimieiro, dois fatores explicam o crescimento do interesse dos brasileiros no futebol feminino.


"Inicialmente, observa-se uma pressão social. Existe uma demanda da sociedade, particularmente das mulheres, o que confere uma questão de dimensão política, impulsionando as empresas a valorizar as modalidades esportivas femininas, com destaque para o futebol feminino. Paralelamente, se identifica interesses econômicos por parte das empresas. Os investimentos realizados visam, em parte, obter retorno financeiro através da crescente popularidade dessas modalidades. Diante da visibilidade e do interesse público, as empresas passaram a reconhecer o potencial de lucratividade das modalidades femininas, incluindo o futebol feminino", avaliou.


Especialistas ouvidos pela CBN também avaliam que a mudança nas regras de licenciamento dos clubes pela CBF impactou diretamente os resultados do futebol jogado por mulheres. Desde 2019, as equipes masculinas da Série A do Campeonato Brasileiro são obrigadas a manter times femininos, como ressalta a jornalista esportiva das Rádios CBN e Globo Talita Giudice.


"O interesse e a visibilidade em relação ao futebol feminino iniciaram um crescimento em 2019, impulsionado pela exigência CBF. Clubes como Flamengo, Botafogo e Cruzeiro, entre outros, passaram a ser obrigados a manter equipes femininas para participar das competições nacionais e internacionais. Essa medida é fundamental. Idealmente, gostaríamos que essa expansão ocorresse de forma natural, sem a necessidade de imposição. Mas, nos últimos três ou quatro anos, houve também uma valorização da história do futebol feminino, com destaque para figuras históricas e nomes contemporâneos, como Marta, e, ainda, para as atletas que integram a nova geração", explicou.


Além da maior presença de torcedores nas arenas e aumento de audiência na TV, o crescimento do futebol feminino também se reflete no interesse das marcas, como destaca o especialista em marketing esportivo Fábio Wolff.



"A entrega de conteúdo aprimora e intensifica o interesse do público. Consequentemente, observa-se um crescimento nos indicadores e, no que compete aos investimentos empresariais, o interesse tem se elevado. Com a realização da Copa do Mundo de 2027 no Brasil, a expectativa é de que esses números continuem a aumentar, assim como a quantidade de empresas interessadas", avaliou.


Para pesquisadores da área, o atual cenário do futebol feminino mostra que o país tem potencial de sobra para continuar crescendo, mas ainda carece de mais investimentos na modalidade pelos clubes em geral.


A Copa do Mundo Feminina de 2027 é uma oportunidade, uma vez que o evento será sediado no Brasil e, pela primeira vez, em solo sul-americano. O torneio receberá 32 seleções e passará por oito sedes em território brasileiro. Como consequência, a modalidade poderá receber maior valorização comercial e mais investimentos de clubes e da própria CBF.
Fonte CBN
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