Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Em Teresina, foram registrados 168 óbitos de crianças menores de um ano em 2023, segundo dados finais do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde. No mesmo período, sete mortes foram contabilizadas relacionadas a gravidez, parto e puerpério. Esses números colocam a capital piauiense entre as cidades com piores indicadores de mortalidade infantil e materna, segundo levantamento da Umane, que analisou esses índices nas capitais brasileiras.
Brasília, Florianópolis, Curitiba, Vitória e Fortaleza são as capitais com os melhores resultados de saúde pública e no outro extremo estão Salvador, Recife, João Pessoa, Teresina e Manaus, com os indicadores desfavoráveis (veja mais informações ao final da reportagem).
Por meio de nota, a Fundação Municipal de Saúde (FMS) de Teresina reforça que, apesar da posição no ranking, os indicadores da capital apresentam queda.
“É importante destacar que, apesar da posição no levantamento atual da pesquisa Umane, que considerou dados do no ano de 2023, Teresina apresentou queda nesses indicadores nos últimos anos, resultado de esforços contínuos para qualificar a rede municipal de saúde e ampliar o acesso à atenção integral”, explica a nota.
A nota apresenta ainda medidas que foram tomadas para a melhoria desses indicadores. Na Atenção Primária à Saúde (APS), por exemplo, diversas ações vêm sendo fortalecidas, como capacitação contínua de médicos e enfermeiros para o acompanhamento do pré-natal.
Entre as outras ações estão:
- Implantação de ficha de estratificação de risco da gestante, alinhada ao modelo estadual, para identificar precocemente casos de alto risco;
- Organização do cuidado por níveis de risco, com a Atenção Básica atendendo gestantes de baixo risco e os Ambulatórios das maternidades municipais oferecendo suporte aos casos de médio risco;
- Fortalecimento do plano de vinculação da gestante à maternidade de referência.
No cuidado infantil, Teresina adotou o modelo Nurturing Care de acompanhamento, que promove o desenvolvimento integral da criança desde os primeiros anos de vida.
Enfermeiros da rede municipal foram capacitados e orientados a complementar sua formação com o curso de cuidado no desenvolvimento infantil, oferecido pelo Ministério da Saúde.
Além disso, Teresina está participando da estratégia nacional “10 Passos dos Cuidados Obstétricos”, desenvolvida pelo Ministério da Saúde e FIOCRUZ, com ações em unidades como a Maternidade do Buenos Aires, e Unidades Básicas de Saúde selecionadas.
A FMS também destacou ainda que Teresina concentra a maior parte dos serviços de média e alta complexidade do estado, incluindo a única maternidade referência para casos de alto risco. A nota ressalta ainda que fatores como desigualdade regional e concentração populacional em áreas vulneráveis influenciam os indicadores de saúde.
“A FMS tem metas para os próximos anos, incluindo redução da mortalidade materna e infantil, ampliação da cobertura vacinal, fortalecimento da atenção primária e melhoria dos indicadores relacionados às DCNT. A gestão municipal está empenhada em superar essas barreiras com investimentos progressivos”, finaliza a nota.
Pesquisa nacional
Brasília, Florianópolis, Curitiba, Vitória e Fortaleza são as capitais com os melhores resultados de saúde pública, segundo o levantamento da Umane, que analisou os índices do DataSUS de mortalidade infantil de crianças menores de um ano, mortalidade materna e mortes prematuras (de 30 a 69 anos) por doenças crônicas não transmissíveis. No outro extremo estão Salvador, Recife, João Pessoa, Teresina e Manaus, com os indicadores desfavoráveis.
Evelyn Santos, gerente de investimento e impacto social da Umane, explica que os indicadores analisados refletem a qualidade dos serviços prestados em cada cidade pelo SUS, que completa 35 anos nesta sexta-feira (19).
Segundo ela, a mortalidade infantil e materna apontam vulnerabilidades em momentos críticos, como gestação e primeiros anos de vida, e estão associadas a fatores socioeconômicos e ao acesso a serviços de saúde. Já a mortalidade prematura evidencia impactos de doenças silenciosas, como hipertensão, diabetes tipo 2 e problemas cardiovasculares, sobre a qualidade de vida e os custos para o sistema de saúde.
Para chegar ao top 5, as 27 capitais foram avaliadas segundo cada indicador. A Umane considerou as 13 primeiras posições de cada ranking que correspondem à metade superior, com os menores índices em cada categoria. Esse grupo, chamado de top 13, reúne os municípios com os melhores resultados em 2023, última data de atualização disponível no Observatório da Saúde Pública da Umane.
Ao cruzar os três indicadores de mortalidade, é possível identificar um grupo restrito de capitais que se mantém bem posicionado em todos eles: Brasília, Florianópolis, Curitiba, Vitória e Fortaleza, cidades que aparecem simultaneamente no top 13 de mortalidade infantil, materna e prematura, o que mostra consistência nos resultados de saúde pública.
Para melhorar os resultados na redução da mortalidade materna e infantil, a Prefeitura de Vitória ampliou o acompanhamento pré-natal, para garantir sete consultas ao longo da gestação. A medida vai além da recomendação mínima de seis consultas, estabelecida pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e pelo Ministério da Saúde, para garantir a saúde da mãe e do bebê.
Segundo a secretária de Saúde do município, Magda Lamborghini, seis das 29 UBSs (Unidades Básicas de Saúde) da cidade passaram a funcionar em horário estendido aos sábados, domingos e feriados. A estratégia fortaleceu a vacinação e ampliou a cobertura de serviços básicos, para recuperar índices vacinais e prevenir óbitos por doenças evitáveis.
Florianópolis, apesar dos bons resultados em mortalidade infantil e materna, cai para a décima posição em mortalidade prematura entre as capitais. O secretário de Saúde Cláudio Goulart aponta que isso ocorre principalmente devido ao perfil demográfico da cidade, que conta com 18% da população acima de 60 anos.
"Isso aumenta os riscos de doenças crônicas e mortes prematuras. Fatores como hipertensão, diabetes, obesidade e problemas de saúde mental também influenciam esses índices. Para enfrentar o desafio, a cidade mantém programas de prevenção e diagnóstico precoce, voltados a doenças crônicas e aos tipos mais comuns de câncer."
Em Curitiba, a redução da mortalidade materna e infantil é conduzida pelo programa Mãe Curitibana, criado em 1999, que oferece assistência integral à mulher e à criança, desde o pré-natal até o puerpério, com telemonitoramento das gestantes e vinculação a maternidades de referência, afirma a secretária de Saúde de Curitiba, Tatiane Filipak.
Apesar do bom desempenho em mortalidade infantil, Curitiba ainda enfrenta dificuldades na redução da mortalidade materna (5º lugar) e prematura por doenças crônicas não transmissíveis (6º lugar). A secretária aponta como principais desafios a adesão ao acompanhamento integral por parte de gestantes imigrantes e de pacientes que começam o pré-natal na rede privada e migram para o sistema público durante a gestação.
A gerente de investimento e impacto social da Umane destaca que o PIB per capita do município ajuda a qualificar os indicadores ao mostrar que nem sempre as capitais com maior riqueza apresentam os melhores resultados em saúde.
"O exemplo de Fortaleza ilustra isso: apesar de ter um PIB per capita relativamente baixo, a cidade consegue resultados positivos nos três indicadores. Por outro lado, Brasília, com um PIB per capita alto, apresenta mortalidade infantil e materna piores que Florianópolis, que tem metade do PIB per capita, embora sua mortalidade prematura esteja melhor."
A secretária municipal de saúde de Fortaleza, Riane Azevedo, diz que o município consegue aplicar recursos de forma estratégica em áreas de maior vulnerabilidade. Entre as ações destacadas estão a humanização do parto, o fortalecimento do pré-natal, a criação de centros de atenção a hipertensos e diabéticos, a informatização da rede hospitalar e programas voltados à alimentação e à prevenção na adolescência.
A Prefeitura do Recife afirma que adota uma série de políticas públicas voltadas à redução da mortalidade materno-infantil e por doenças não transmissíveis, como cânceres, diabetes e hipertensão. Entre os programas de destaque estão o Mãe Coruja e o Compaz, "ambos reconhecidos internacionalmente pelo trabalho de prevenção, promoção da saúde e melhoria da qualidade de vida da população".
O município ressalta que as ações intersetoriais vêm contribuindo para a redução de indicadores como mortalidade materna e infantil, conforme os dados atualizados pela gestão municipal no SIM (Sistema de Mortalidade), que mostram tendência de queda nos últimos anos.
A Prefeitura de Manaus afirma que oferta atendimento pré-natal em todas as USF (Unidades de Saúde da Família), com atenção integral às gestantes de risco habitual e intermediário. Também diz acompanhar gestantes de alto risco em parceria com ambulatórios estaduais e utiliza telessaúde para evitar desfechos desfavoráveis.
O projeto Saúde Pública tem apoio da Umane, associação civil que tem como objetivo auxiliar iniciativas voltadas à promoção da saúde