DHPP cumpre mandados e detalha sequestro e execução de jovem em Teresina

DHPP cumpre mandados e detalha sequestro e execução de jovem em Teresina

leandro santos
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 Foto: Jade Araujo/Cidadeverde.com

O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (28), em Teresina, uma operação para cumprir mandados contra acusados de envolvimento no sequestro, tortura, homicídio e ocultação do corpo do jovem Bartolomeu Gabriel Oliveira Gomes, de 22 anos.

O corpo de Bartolomeu foi encontrado em 30 de outubro de 2024 às margens da BR-316, na zona Sul da capital. Ele foi sequestrado um mês antes, em 29 de setembro, em um clube também na região. 

Três investigados, Gutemberg Pereira, Elianderson de Sousa e Carlos Alberto, já estavam presos após uma operação do Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), realizada no bairro Torquato Neto, em outubro do ano passado. Outros dois, Jardielson Araújo e Samuel dos Santos, permanecem foragidos.

Tentativa de captura

Durante a ação desta sexta, equipes do DHPP tentaram cumprir o mandado de prisão contra um dos foragidos, mas o alvo deixou o local antes da chegada dos policiais. Segundo o delegado Danúbio Dias, o grupo é considerado de alta periculosidade.

“São indivíduos violentos, perigosos e que, infelizmente, têm aterrorizado a população. Atualmente, dois estão foragidos. O departamento tentou capturar um deles hoje, cumprimos uma busca agora, mas, ao que parece, ele saiu antes, porque encontramos documentos pessoais da esposa. Recebíamos informações de que ele constantemente dorme em apartamentos diversos, muitas vezes desocupados ou ocupados por moradores. Hoje entramos no apartamento dele e ele não estava, apesar de o local estar aparentemente em uso", afirmou o delegado. 

Os criminosos já presos tiveram os novos mandados encaminhados ao sistema prisional.

Como ocorreu o crime

Bartolomeu foi sequestrado em um clube na zona Sul de Teresina. Conforme o delegado, um integrante da facção reconheceu o jovem no local e alertou os comparsas de que ele seria membro de um grupo criminoso rival, ocasião em que a vítima foi submetida ao chamado “tribunal do crime”.

“Ele foi sequestrado no dia 29 de setembro de 2024 em um clube. Lá, um indivíduo dessa facção criminosa reconheceu a vítima e alertou os companheiros de que ela integrava facção rival. Naquela tarde, a vítima foi levada para um apartamento, um cativeiro, onde foi interrogada, torturada e, em seguida, levada para a Vila Babilônia, onde foi executada", disse. 

Corpo enterrado, desenterrado e levado à BR-316

As investigações apontam que o corpo de Bartolomeu permaneceu enterrado por mais de um mês na Vila Babilônia. Após a repercussão do desaparecimento, o grupo decidiu retirar o cadáver do local para tentar despistar a polícia. Segundo o delegado, os criminosos chegaram a obrigar um morador da região a fornecer o próprio carro.

“Eles mataram a vítima, enterraram e, após a repercussão do caso, obrigaram um morador a fornecer o carro para levar o corpo, que foi desenterrado na Vila Babilônia. Colocaram o cadáver envolto em uma lona e um lençol e o levaram para as margens da BR-316, na zona Sul. A forma como o corpo foi encontrado já indicava que a vítima não havia sido executada na BR, e agora a investigação esclareceu que eles fizeram isso para dificultar ainda mais o trabalho da polícia", acrescentou Danúbio Dias.

Investigação integrada

Danúbio Dias informou que o caso começou a ser desvendado a partir de uma investigação do Draco sobre uma célula criminosa que atuava no Torquato Neto, realizando julgamentos e punições internas, o chamado “tribunal do crime”.

“Essa é uma investigação integrada com o Draco. O Draco começou essa investigação em outubro do ano passado, no Torquato Neto, para investigar uma célula criminosa que era responsável pelo que eles chamam de ‘tribunal do crime’. Durante a investigação, apontaram-se alguns indícios do possível envolvimento desses indivíduos no sequestro, ocultação de cadáver e homicídio do jovem Bartolomeu Gabriel, de 22 anos", ressaltou. 

Motivação do crime

Segundo as próprias confissões dos envolvidos, Bartolomeu teria ligação com uma facção rival, versão negada pelos familiares.

“O que aconteceu, segundo eles próprios confessam, é que a vítima era membro, segundo eles, os familiares negam, de uma facção rival. Mesmo sendo de uma facção rival, decidiu frequentar a área dominada por esses indivíduos. Um deles, que já tinha uma desavença anterior com a vítima, a reconheceu e alertou os companheiros de que se tratava de um inimigo", pontuou o delegado. 

Denúncia e outras ações em andamento

O Ministério Público já denunciou os envolvidos por sequestro, tortura, homicídio e ocultação de cadáver. O DHPP agora trabalha para identificar outros crimes atribuídos ao mesmo grupo, além de localizar novos locais usados como cativeiros.

“Eles já são considerados denunciados pelo Ministério Público pelo sequestro, ocultação de cadáver e homicídio da vítima Bartolomeu Gabriel. O departamento tem outras investigações em andamento que apontam para esse mesmo grupo criminoso. Vamos avançar nessas investigações e tentar localizar os apartamentos usados por esses indivíduos para interrogar as vítimas", finalizou Danúbio Dias. 

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