Foto: Mikaela Ramos/ Cidadeverde.com

A falta de alimentação, enteral e de outros insumos essenciais fornecidos pela Fundação Municipal de Saúde (FMS) tem deixado pacientes acamados em Teresina sem assistência há mais de dois meses. Familiares relatam atrasos constantes na entrega da dieta, dificuldades na troca de sondas e risco à vida de pessoas que dependem de cuidados contínuos.
A Fundação Municipal de Saúde de Teresina (FMS), informou que estão em processo de aquisição, por meio de processos de licitação, dispensa e emissão de empenhos em trâmite. Confira a nota completa no fim desta matéria.
O pedreiro Jonas Teixeira Mourão cuida da irmã, acamada há dois anos e diagnosticada com a síndrome de Arnold-Chiari há oito anos. A condição exige alimentação específica e troca regular de sondas.
“Em Teresina, são mais de mil acamados. Só pela Fundação Municipal de Saúde são mais de 650 cadastrados que recebem alimentação enteral. Mas isso está complicado. Minha irmã está sem receber a dieta desde 12 de setembro. Hoje precisei comprar uma caixa. A gente compra pouco porque não tem condições de arcar com o mês todo”, relatou.
O pedreiro acrescentou que o custo elevado pesa no orçamento. “Gasto de R$ 1.000 a R$ 1.200 por mês só com alimentação enteral, fora fraldas e materiais de curativo”, afirmou.
Além da dieta, ele denuncia dificuldade na troca de sondas, procedimento essencial para evitar complicações. “A sonda deve ser trocada a cada seis meses. A da minha irmã já tem um ano e quatro meses. Os hospitais ficam encaminhando para outros locais e nada se resolve. O acamado vai se debilitando”, contou.
A autônoma Helena Medeiros enfrenta situação semelhante. Ela cuida da mãe e da tia, acamada há seis anos após um AVC severo e dependente integral da alimentação enteral. Segundo ela, o fornecimento está suspenso há dois meses.
“A última entrega foi em 12 de setembro. Ela precisa de 32 litros por mês e, com um salário mínimo, é impossível manter. Ainda tem as despesas de higiene. É muito difícil”,contou. Helena contou ainda que o atraso coloca a vida dos pacientes em risco. “Orientam a introduzir outro tipo de alimentação, mas como fazer isso com alguém que usa só dieta enteral há seis anos? Há risco de infecção e internação”, alertou.
Ela também reclama da quantidade insuficiente de produtos quando há distribuição. “Às vezes chegam 20, 25 senhas. Quem mora perto consegue pegar, mas muitos ficam sem. Isso já acontece há muito tempo. Mesmo reclamando, dizem apenas para esperar. Dei entrada no mês passado e informaram que eram 17 dias para avaliar o grupo. Até agora, nada”, concluiu.
Confira a nota da FMS
A Fundação Municipal de Saúde (FMS) informa que os insumos em falta estão em processo de aquisição, por meio de processos de licitação, dispensa e emissão de empenhos em trâmite. Todas as medidas estão sendo tomadas para que a situação seja normalizada o mais breve possível.
Quanto à alimentação enteral, a FMS informa que o fornecimento se encontra regular e é feito conforme o abastecimento pelos fornecedores.