A presença de grandes blocos de aguapés no Rio Poti tem chamado a atenção de quem passa pelas margens do rio em Teresina. As plantas aquáticas formam verdadeiras “ilhas flutuantes” que se deslocam constantemente pelo leito, especialmente neste período mais quente do ano, conhecido como B-R-O-Bró.
Segundo o biólogo Ribamar Rocha, a proliferação dos aguapés ocorre devido a uma combinação de fatores ambientais e humanos. O principal deles é o lançamento de esgoto sem tratamento no Rio Poti, rico em nutrientes como nitrogênio e fósforo, que funcionam como alimento para a planta.
“Esse esgoto fornece nutrientes que favorecem o crescimento dos aguapés. Somado a isso, temos alta insolação e temperaturas elevadas, criando condições ideais para a proliferação, principalmente neste período do ano”, explicou o biólogo.
Outro fator apontado é a própria característica do Rio Poti. Por ter menor volume e fluxo de água em comparação ao Rio Parnaíba, o deslocamento da água é mais lento, o que facilita a concentração das plantas, especialmente em curvas do rio e áreas com pedras.
“O fluxo menor do Rio Poti faz com que os aguapés se concentrem em determinados pontos. Isso não acontece com tanta intensidade no Rio Parnaíba, que tem maior volume de água”, detalhou Ribamar Rocha.
Benefícios e riscos ambientais
Apesar do impacto visual e das preocupações, os aguapés também desempenham um papel ecológico importante. De acordo com o especialista, a planta ajuda a absorver poluentes presentes na água, funcionando como um filtro natural.
“O aguapé tem um papel positivo quando absorve nutrientes e ajuda a limpar o efluente. Inclusive, pode ser usado de forma racional no tratamento de esgoto, sendo uma alternativa mais barata e ecológica do que métodos químicos”, destacou.
No entanto, o crescimento excessivo traz riscos ambientais. Quando os aguapés cobrem a superfície da água, há redução da entrada de luz e da oxigenação, o que pode afetar diretamente a vida aquática.
“A diminuição do oxigênio pode levar à morte de peixes. Além disso, quando essa biomassa morre e entra em decomposição, o problema se agrava, com aumento de bactérias e organismos patogênicos”, alertou o biólogo.
Foto: Bartolomeu Almeida / TV Cidade Verde

Monitoramento
A Águas de Teresina, concessionária responsável pelos serviços de água e esgoto na capital, informou que realiza monitoramento constante da qualidade da água e destacou que a ampliação da cobertura de esgoto é uma das principais formas de reduzir a proliferação dos aguapés.
“Atualmente, Teresina já conta com cerca de 60% de cobertura de esgoto. É fundamental que a população se conecte à rede para que o esgoto seja tratado antes de retornar ao Rio Poti”, explicou Gabriela Coutinho, representante da concessionária.
Ela ressaltou ainda a importância da atuação conjunta com a Secretaria de Meio Ambiente, tanto na fiscalização de lançamentos irregulares quanto em ações de educação ambiental.
“Preservar o Rio Poti é uma responsabilidade compartilhada. A conexão à rede de esgoto e a conscientização da população são essenciais para proteger esse manancial”, concluiu.