Após prisão injusta, jovem negro é inocentado e verdadeiros culpados são presos

Após prisão injusta, jovem negro é inocentado e verdadeiros culpados são presos

leandro santos
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Duas semanas após ser preso injustamente durante a própria festa de aniversário, em Porto Alegre, o jovem Fábio foi oficialmente declarado inocente pela Polícia Civil.

Nesta quinta-feira (11), os verdadeiros ladrões de uma motocicleta roubada no dia 26 de novembro foram detidos durante uma operação contra furtos e roubos de veículos no Rio Grande do Sul.

No dia do aniversário, Fábio comemorava em um bar da capital quando a Brigada Militar interrompeu a festa em busca dos responsáveis pelo roubo de uma moto ocorrida horas antes em um bairro vizinho.

Com o rastreador, a vítima localizou o veículo a poucos metros do bar e, ao ver Fábio e um amigo, apontou os dois como autores com base apenas em características físicas: ambos eram homens negros. Um deles usava um boné azul, semelhante ao do suspeito que aparece nas imagens do crime.

Mesmo com a tentativa de mais de 20 convidados de explicar que os jovens estavam no bar no momento do roubo, os dois foram detidos e passaram a noite do aniversário no cárcere.

Vídeos registraram o momento em que dois criminosos abordam o dono da moto, o ameaçam com arma e fogem em seguida.

A investigação posterior concluiu que nenhum dos jovens detidos aparecia nas imagens.

Justiça relaxou a prisão no dia seguinte

No dia seguinte ao flagrante, a Justiça determinou o relaxamento da prisão, entendendo que a detenção foi realizada de forma irregular — procedimento aplicado quando há falha ou ilegalidade na abordagem policial.

Depois de ouvir testemunhas e analisar o caso, a Polícia Civil identificou e prendeu os verdadeiros autores do crime durante uma operação nesta quinta-feira.

Segundo a delegada Jeiselaure de Souza, não há qualquer relação entre Fábio, o amigo e o roubo.

“Os rapazes que foram presos no aniversário são inocentes, não tinham vinculação com o roubo”, afirmou.

Dos quatro detidos hoje, dois eram monitorados por tornozeleira eletrônica.

Em nota, a Brigada Militar afirmou que toda a ação seguiu os protocolos legais e que não houve motivação discriminatória. Porém, um procedimento interno foi aberto para apurar a conduta dos policiais envolvidos na abordagem.

Advogado aponta racismo na abordagem

Para o advogado de Fábio, Diander Rocha, a prisão injusta é um caso evidente de racismo:

“Ele não reconheceu o Fábio. Ele reconheceu um boné. E porque uma pessoa negra estava usando um boné parecido com o do ladrão, disseram que era ele. Isso, pra mim, é racismo.”
Após a confirmação da polícia, Fábio disse que finalmente se sente aliviado: “As pessoas poderiam nos olhar como culpados. Agora podemos mostrar que sempre fomos inocentes.”

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