Mais de 1,5 milhão de imóveis ainda estão sem luz em São Paulo por causa da ventania de quase 100 quilômetros por hora que atingiu a capital e outras regiões do Estado. O volume corresponde a 18% dos clientes da Enel na capital e Região Metropolitana. Nesta quarta-feira (10), o número de residências, empresas e comércios que ficaram sem energia chegou a mais de dois milhões, ou 25% do total.
Milhares de pessoas estão sem energia há quase 24 horas e também enfrentam outros transtornos como falta de acesso à internet:
Estamos sem luz desde as 8h30, nove da manhã, quando começou a piscar, então já há mais de 18 horas. Tem umas partes do bairro que estão sem luz pública também, iluminação pública, então tudo escuro. Estamos esperando a Enel tomar providências'.
O vento arrancou árvores e derrubou o Papai Noel gigante instalado na Avenida Paulista para a decoração de Natal. Segundo a Defesa Civil, galhos causaram ferimentos leves em quatro pessoas. Por segurança, a Prefeitura de São Paulo fechou todos os 119 parques municipais.
Em Campos do Jordão, uma pessoa morreu em consequência de um deslizamento. Na capital, diferentes bairros tiveram caos no trânsito por causa de ruas bloqueadas por queda de árvores e semáforos desligados:
'Quando eu estava passando aqui, a árvore começou a fazer o barulho, aí ela começou a pender para esse lado aqui e caiu. Daí na hora que caiu, ainda estava muito trânsito, eu consegui dar uma rezinha de meio metro, como você pode ver, e aí foi onde pegou só a coluna do carro, dali para o motor, para frente. Esse meio metro foi o que me salvou'.
O vendaval causado por um ciclone extratropical provocou o cancelamento ou desvio de 200 voos nos aeroportos de Congonhas e Guarulhos. No aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo, as rajadas de vento atingiram 96 quilômetros por hora, segundo a Defesa Civil.
Na manhã desta quinta-feira (11), o painel de voos de Congonhas já apontava que quatro partidas e nove chegadas ao aeroporto há haviam sido canceladas. De acordo com a concessionária Aena, 167 voos foram cancelados, sendo 80 chegadas e 87 partidas, gerando efeito cascata que prejudicou milhares de passageiros.
O saguão ficou caótico, com filas enormes e passageiros sem previsão de reacomodação.
'O nosso avião era para pousar aqui em Congonhas, mas aí, por causa do vento muito forte, não deu para pousar e pousou em Campinas. Agora a gente pegou um avão em Campinas e vem parar aqui de novo em Congonhas e agora não está tendo nem suporte para a gente, não está tendo nem suporte'.
Os cancelamentos de voos em São Paulo também provocaram impacto em outros aeroportos pelo país. No Rio de Janeiro, os aeroportos também sofreram as consequências da ponte aérea parada. O Galeão serviu de alternativa para voos que não conseguiram pousar em Guarulhos. O Santos Dumont teve voos impactados principalmente pela conexão com Congonhas.
Em Brasília, por ser um grande hub de conexão com São Paulo, o terminal sofreu imediatamente com a malha parada no Sudeste. A concessionária Inframerica confirmou o cancelamento de 17 voos e atrasos em oito.
Em Porto Alegre, o Salgado Filho registrou atrasos e cancelamentos ao longo da tarde, tanto pela ventania local quanto pela impossibilidade de voar para São Paulo. Em Caxias do Sul, voos da Azul e da Gol para Campinas e São Paulo foram cancelados devido à instabilidade na Serra Gaúcha e no destino.
Fonte CBN