As autoridades iranianas marcaram para esta quarta-feira (14) a primeira execução ligada à nova onda de protestos contra o regime dos aiatolás. Segundo entidades de direitos humanos, o jovem Erfan Soltani, de 26 anos, será enforcado por participar das manifestações contra o governo.
Conforme a ONG Hengaw, após a prisão, Soltani passou por um julgamento acelerado, sem direito à presença de advogados; sem acesso a direitos básicos e com pouca transparência. As autoridades iranianas só entraram em contato com os parentes para informar sobre a execução e que a sentença de morte era definitiva, sem possibilidade de recurso.
As entidades afirmam ainda que a família teve direito a uma breve reunião com o jovem, por cerca de 10 minutos, apenas para se despedir. A irmã de Erfan, que é advogada, tentou impedir a pena de morte por meios legais, mas não teve acesso aos autos.
A sentença dele é chamada de “inimizade contra Deus”, considerada de alta gravidade e passível de pena de morte. O Irã é uma república islâmica em que todo o poder está submetido à liderança e ao controle do aiatolá Ali Khamenei, chefe de Estado e líder religioso do país.
Depois de 16 dias de protestos, mais de três mil manifestantes já morreram, segundo organizações de direitos humanos. Um site de notícias do Irã com sede no Reino Unido chega a estimar o número de mortos em 12 mil.
Os manifestantes começaram a ir às ruas em 28 de dezembro por causa da crise econômica e depois passaram a exigir a queda do regime, que está no poder desde a Revolução Islâmica de 1979. Diante da escalada da violência, o Departamento de Estado dos Estados Unidos alertou os cidadãos americanos a deixarem o Irã imediatamente e recomendou que eles fujam por terra, via Turquia ou Armênia.
O presidente dos Estados Unidos prometeu tomar medidas duras contra o Irã, caso o regime execute manifestantes. Donald Trump incitou os manifestantes iranianos a derrubarem a teocracia islâmica e disse que a ajuda dos Estados Unidos está a caminho. Em carta à ONU, o governo do Irã acusou o presidente americano de incitar a violência e de ameaçar a soberania do país.
Para o comentarista da CBN Guga Chacra, os Estados Unidos devem intervir no Irã nos próximos dias. Ele avalia que o objetivo do governo iraniano ao executar um manifestante é passar um recado para a população local para tentar conter os protestos e sobreviver.
Fonte CBN