O vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia e aliado próximo de Putin, Dmitry Medvedev, afirmou que o presidente americano, Donald Trump, busca conquistar a Groenlândia para entrar para a história e se tornar como Vladimir Putin.
Medvedev esclareceu, no entanto, que enquanto Putin, com a guerra na Ucrânia, está 'devolvendo as terras históricas' da Rússia, a Groenlândia nunca teve laços com os Estados Unidos, apesar das repetidas tentativas de Washington de comprar a ilha.
O ex-presidente russo também levantou uma eventual hipótese para o futuro da ilha. Segundo ele, os países europeus poderiam tentar convencer Trump a evitar o controle, deixando a propriedade formal para a Dinamarca. Em troca, ofereceriam a exploração gratuita de seus recursos minerais e a instalação de bases militares, aeroportos, silos de mísseis e outras infraestruturas estratégicas.
Trump não precisa disso. Todos entendem: ele precisa colorir a ilha nos mapas mundiais com as cores da bandeira americana e se alinhar aos pais fundadores', continua Medvedev.
Apesar disso, o aliado de Putin deixou claro que:
'Liquidificar a OTAN será muito mais difícil do que sequestrar um líder estrangeiro traído por seus aliados em um país enfraquecido', disse, em referência à captura de Nicolás Maduro pelos EUA no início do mês.
Secretário dos EUA chama Macron de 'provocativo' e Dinamarca de 'irrelevante'
Em uma coletiva de imprensa em Davos, na Suíça, nesta quarta-feira (21), o secretário de Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, foi questionado sobre a questão da Groenlândia e a reação dos países aliados pela OTAN, mas que possuem parte da região, que é visada por Donald Trump.
Bessent primeiro chamou a reação do presidente francês, Emmanuel Macron, de 'provocativa'. Ele também criticou o Reino Unido, chamando o país de 'decepcionante'.
Em seguida, chamou de 'irrelevante' a decisão da Dinamarca de vender os investimentos de seu fundo de pensão nacional em títulos do Tesouro americano.
'O valor do investimento da Dinamarca em títulos do Tesouro americano é tão insignificante quanto a própria Dinamarca — menos de 100 milhões de dólares. Não me diz respeito em nada', comentou.
Nessa terça (20), em uma entrevista para a rede de TV americana CNBC, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que o controle do governo Trump na Groenlândia impediria qualquer ‘conflito armado’.
‘Isso evitará qualquer tipo de conflito armado, então por que não prevenir o problema antes que ele surja?’, questionou.
Bessent disse que os países europeus deveriam contribuir com sua “parte justa” para a defesa. ‘Enquanto os europeus construíam escolas e investiam em saúde, nós estávamos defendendo o mundo’, afirmou.
Trump afirmou repetidamente que assumir o controle da Groenlândia é vital para a segurança nacional dos EUA, citando frequentemente preocupações sobre a influência da Rússia e da China no Ártico.
Em uma coletiva de imprensa posteriormente, Bessent afirmou para os países não revidarem e se 'acalmarem'.
Respirem fundo. Não revidem. O presidente estará aqui amanhã e vai transmitir sua mensagem', disse.
UE defende diálogo com Trump, mas afirma que agirá 'se necessário'
Em um depoimento no Parlamento Europeu nesta quarta-feira (21), a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a Europa defende em primeiro lugar o diálogo para encontrar soluções com os Estados Unidos sobre a situação da Groenlândia.
Apesar disso, ela foi clara: 'estamos totalmente preparados para agir, se necessário, com unidade, urgência e determinação'.
'É por isso que estamos trabalhando em um pacote para apoiar a segurança do Ártico. Um primeiro pilar será um aumento maciço do investimento europeu na Gronelândia, em particular para apoiar a economia e as infraestruturas locais. Devemos usar o aumento da despesa em defesa para adquirir equipamento adequado ao Ártico', comentou durante discurso.
Ainda falando sobre as relações com os EUA, von der Leyen comentou que os líderes europeus irão discutir sobre Donald Trump nesta semana. A presidente defendeu que a Europa está em 'uma encruzilhada'.
Apesar disso, ela defendeu uma colaboração com os Estados Unidos e todos os parceiros fora da Europa para uma maior segurança do Ártico. Ursula ainda anunciou a intenção de 'fortalecer nossos acordos de segurança com parceiros como o Reino Unido, Canadá, Noruega, Islândia e outros'.
'Devemos usar nossos gastos aumentados com defesa para nos equiparmos com equipamentos adequados para o Ártico'.
Também nesta quarta, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em entrevista ao programa NewsNation que provavelmente será encontrada uma solução para a situação da Groenlândia com os países europeus. Segundo ele, diversas reuniões estão marcadas para discutir o tema em Davos, na Suíça, onde ocorre o fórum econômico mundial.
Questionado sobre quando essa solução ocorreria, Trump comentou que 'talvez até mesmo em Davos, nos próximos dias'.
Nessa terça (20), ele disse que pretende fazer algo em relação à Groenlândia que seja bom para todos.
O republicano defendeu acreditar que haverá uma solução para satisfazer o governo americano e a Otan, e voltou a declarar que precisa do território por motivos de segurança:
"Todos diziam: 'As tarifas vão causar inflação'. Não temos inflação. Ela é muito pequena. Biden tinha inflação e não fez nada em relação às tarifas. Foi um grande problema. Nós temos uma redução de 62% no déficit comercial. Se fosse 1 ou 2%, todos estariam celebrando. Eu consegui uma redução de 62%. Ano que vem, não teremos déficit comercial."
Ao ser questionado por um repórter sobre o quão longe estaria disposto a ir para adquirir a Groenlândia, Trump respondeu: 'Vocês vão descobrir'.
Em meio à crise com aliados europeus, Trump disse que fez mais pela Otan do que qualquer outra pessoa viva ou morta.
A manifestação aconteceu durante a coletiva de imprensa em que o republicano fez um balanço do primeiro ano do segundo mandato dele.
Durante o discurso, Trump também defendeu a aplicação de tarifas e disse que a medida não causou inflação no país:
"Acho que vai acontecer alguma coisa que será muito boa para todos. Eu acredito que vamos fazer algo que deixe a Otan muito feliz e nós estaremos muito felizes, mas precisamos disso por motivos de segurança. Precisamos disso por segurança nacional e até mundial. É muito importante."
O presidente americano disse, ainda, que não vai a Paris para uma reunião de emergência do G7 proposta pelo presidente da França, Emmanuel Macron, e afirmou que o líder francês é um amigo, mas não terá longevidade no cargo.
O republicano também confirmou ter convidado o presidente Lula para o Conselho da Paz de Gaz e disse que gosta do brasileiro.
Em relação ao tarifaço, Trump disse que não sabe como a Suprema Corte dos Estados Unidos vai decidir sobre a legalidade da medida.
Mas alertou que se perder a ação, Washington pode ter de devolver centenas de bilhões de dólares e destacou que não sabe como fazer isso facilmente sem prejudicar muitas pessoas.
Fonte CBN