Foto: Eduardo Costa / cidadeverde.com

A regularização fundiária deixou de ser apenas um processo burocrático e passou a ocupar espaço de destaque como um dos mercados mais técnicos e promissores do país. Esse foi o principal debate do Reurb Summit, evento nacional realizado em Teresina, que reúne nesta sexta-feira (30) e no sábado (31), representantes de diversos estados, entre advogados, engenheiros, gestores públicos, cartórios e especialistas que atuam diretamente na regularização de imóveis urbanos.
O encontro tem como objetivo principal conectar instituições e profissionais, além de apresentar soluções tecnológicas capazes de reduzir o tempo e os custos do processo de regularização fundiária. Uma dessas soluções é o Cerurb, tecnologia que centraliza todas as informações e documentos necessários para a entrada e deferimento do registro de imóveis de forma 100% digital.
Segundo Ely Bezerra, sócio-fundador da Fox Line e CEO da Cerurb, a proposta do evento é mostrar, na prática, um ecossistema que já funciona no Piauí.
“A ideia do Reurb Summit é conectar parceiros para apresentar o nosso ecossistema. Essa parceria entre órgãos e a tecnologia funcionando aceleram todo o processo da Reurb, desde a instauração do núcleo até o registro do imóvel, tudo de forma online e digital”, destacou.
A plataforma Cerurb atua desde o mapeamento da área, com ortofotos e cadastros. Além disso, o Cerubjus, utilizado pelo Tribunal de Justiça do Piauí, reúne esses dados e acelera a análise técnica e jurídica, até o envio automático das informações aos cartórios. O uso de tecnologia e inteligência artificial elimina etapas manuais e reduz significativamente o tempo de espera das famílias que aguardam a matrícula do imóvel.
“O que antes levava meses, hoje pode ser resolvido em semanas. A tecnologia veio para desburocratizar e tornar o processo mais eficiente”, reforçou Ely Bezerra.
Piauí como vitrine nacional
O avanço da regularização fundiária no estado chamou atenção de especialistas de todo o país. Para o advogado Renato Góes, referência nacional em regularização fundiária urbana e gestão pública, o Piauí se tornou exemplo de como a tecnologia pode escalar soluções para um problema que afeta mais da metade dos domicílios urbanos do Brasil.
“A demanda fundiária brasileira é enorme e só pode ser enfrentada com tecnologia de ponta. O que vemos aqui é um evento de repercussão nacional e um software que pode ser replicado em todo o país”, afirmou.
Renato Góes acredita que a expansão da tecnologia para outros estados é apenas uma questão de tempo. “Esse evento abre as portas para fazer Reurb do jeito certo, com a tecnologia certa, escalando a solução para o Brasil inteiro”, completou.
A advogada Josiane Martins, especialista em regularização fundiária e fundadora da empresa Reurb Mais +, destacou como a tecnologia tem impacto direto na rotina de quem atua no setor. A empresa está em processo de adesão do Cerurb.
“Eu trabalho diretamente com os ocupantes dos imóveis. Em um bairro com mil pessoas, são mil contratos e milhares de boletos. Ter tudo isso integrado em um único sistema muda completamente a gestão”, explicou.
Segundo ela, o Cerurb otimiza não apenas a parte técnica e jurídica, mas também a gestão financeira, contábil e operacional dos projetos de regularização. “É uma tecnologia que faz a roda girar praticamente de forma automática, permitindo que o empreendedor foque no que realmente importa”, ressaltou.
Apesar dos avanços, o desafio ainda é grande. Milhões de imóveis no Brasil seguem sem matrícula. Para o setor, a combinação entre tecnologia, integração institucional e capacitação profissional, fazem o caminho para transformar esse cenário e garantir segurança jurídica para milhares de famílias em todo o país.