Saiba por que é improvável que o vírus Nipah chegue ao Brasil

Saiba por que é improvável que o vírus Nipah chegue ao Brasil

leandro santos
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Brasília (DF), 27/01/2026 - Vírus Nipah tem alta taxa de letalidade. Foto: Ruslanas Baranauskas/Divulgação
© RUSLANAS BARANAUSKAS/DIVULGAÇÃO

Nos últimos dias, um vírus transmitido por morcegos e outros animais, já conhecido na Ásia, ganhou destaque no noticiário mundial. É o Nipah, que teve cinco casos confirmados e colocou mais de 100 pessoas em quarentena na província de Bengala Ocidental, na Índia.

Quando se fala de vírus, surtos e quarentena, é impossível não se lembrar da história recente da covid-19. A taxa de letalidade do Nipah em humanos fica entre 40% e 75% e pode variar de acordo com o surto, dependendo da capacidade local de vigilância epidemiológica e de manejo clínico de pacientes. Especialistas afirmam, porém, que é improvável que o Nipah chegue ao mesmo nível de pandemia da covid-19.

Para o consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, Benedito Fonseca, a incidência do vírus na Índia é explicada por fatores ambientais e culturais. As formas de transmissão também limitam o alcance da doença, na comparação com a covid-19. Assim, segundo o especialista, é pequena a chance de o vírus se espalhar pelo planeta.

FILE PHOTO: Field lab assistants catch a bat in their net as they collect specimens for their Nipah virus research in the Shuvarampur area of Faridpur, Bangladesh, September 14, 2021. REUTERS/Mohammad Ponir Hossain./File Photo

Histórico e evolução

O Nipah foi identificado pela primeira vez em 1999, na Malásia pelo contato direto com porcos. Voltou a aparecer em 2001, em Bangladesh, país que tem registros anuais desde então. O leste da Índia, onde foi registrado o surto atual, também tem casos periódicos.

A transmissão do vírus também já foi registrada entre animais como cavalos, cabras, ovelhas, gatos e cães. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Nipah é altamente contagioso em suínos. Nenhum dos hospedeiros, entretanto, apresenta altas taxas de mortalidade ou até mesmo sintomas da doença.

Em humanos, os sintomas iniciais podem se manifestar de 4 a 14 dias após a contaminação, e incluem: febre, vômitos e dor de cabeça, de garganta e muscular. Ainda existem relatos de pneumonia atípica e problemas respiratórios graves.

Essas queixas podem evoluir para tonturas, sonolência, alteração do nível de consciência, e, em casos graves, convulsões e encefalite aguda, que podem levar ao coma.

Os principais testes utilizados para identificar o Nipah são o RT-PCR em fluidos corporais e a detecção de anticorpos por meio do ensaio imunoenzimático, além da análise do histórico clínico do paciente.

FILE PHOTO: A patient, who according to medics is suffering from Nipah infection, is shifted to an ICU of Nipah isolation ward in Kozhikode Medical College in Kozhikode district in the southern state of Kerala, India, July 20, 2024. REUTERS/CK Thanseer/File Photo
20/07/2024 - Paciente com infecção pelo vírus Nipah é transferido para UTI da ala de isolamento no Hospital Universitário de Kozhikode, em Kerala, no sul da Índia. - REUTERS/CK Thanseer - Proibido reprodução

Prevenção e tratamento

Atualmente, não existem medicamentos ou vacinas específicos para a infecção pelo vírus. A OMS recomenda que os pacientes passem por tratamento intensivo de suporte para complicações respiratórias e neurológicas graves.

Sem vacina conhecida, a única maneira de prevenir a infecção pelo Nipah em pessoas é aumentar a conscientização para reduzir a exposição ao vírus. Isso inclui afastar morcegos de produtos alimentícios, higienizar bem as frutas, utilizar luvas e outras roupas de proteção para manusear animais durante procedimentos de abate e eliminação; além de proteger as rações dos animais.

Para evitar o contágio entre humanos, as recomendações são parecidas com as da covid-19: evitar o contato físico próximo e desprotegido com pessoas infectadas pelo vírus e lavar às mãos com frequência, principalmente após cuidar ou visitar pessoas doentes.

* Com informações da Agência Brasil.

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