Endividamento cresce 12% em um ano no Piauí,mas segue abaixo da média nacional

Endividamento cresce 12% em um ano no Piauí,mas segue abaixo da média nacional

leandro santos
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 Foto: Renato Andrade/Cidadeverde.com

Mais de 40% da população adulta do Piauí estava endividada em dezembro de 2025, segundo dados do Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas do Serasa. O percentual representa um crescimento de cerca de 12% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A contadora e educadora financeira Fátima Ribeiro explica que, embora haja aumento na comparação anual, o endividamento tende a cair nos últimos meses do ano. De acordo com ela, a redução é influenciada principalmente pelo pagamento do décimo terceiro salário.

“No final de ano há uma redução. Houve um aumento em relação a 2024, mas, em comparação com novembro, sempre há uma queda. As pessoas usam o décimo terceiro para quitar dívidas”, destaca.

Segundo a especialista, esse cenário costuma se inverter logo no início do ano seguinte, quando novas despesas pressionam o orçamento das famílias.

“Em janeiro, o endividamento volta a crescer. Muitas pessoas quitam dívidas com o décimo terceiro e, na sequência, assumem novos compromissos, como material escolar e gastos das férias, que começam a pesar agora”, pontua.

Apesar desse movimento, a inadimplência no Piauí permanece abaixo da média nacional, que é de 49%. O estado aparece entre os menores índices do país, ficando atrás apenas de Santa Catarina, com 39%.

Foto: Renato Andrade/Cidadeverde.com

O levantamento mostra que as dívidas no estado se concentram principalmente em bancos e cartões de crédito, responsáveis por 26% do total. Em seguida, aparecem as contas básicas, como água e energia elétrica (22%), as financeiras (19%) e os serviços (11%).

“O cartão de crédito não é uma dívida em si, é uma forma de pagamento. Ele não é um vilão. O problema é o mau uso, quando se parcela supermercado, combustível ou medicamentos. Parcelar gastos recorrentes é um erro”, alerta a contadora.

Mesmo com um índice proporcional mais baixo, o volume de renegociações é expressivo. Somente em dezembro, mais de 63 mil acordos foram firmados no Piauí por meio do programa Serasa Limpa Nome, indicando adesão relevante da população às iniciativas de renegociação.

Os dados fazem parte do recorte regional do estudo do Serasa, que acompanha mensalmente a inadimplência no país e analisa o comportamento dos consumidores diante das possibilidades de negociação, com o objetivo de mapear tendências e subsidiar ações de educação financeira.

Como se organizar financeiramente

Para quem enfrenta dificuldades financeiras, Fátima Ribeiro afirma que o primeiro passo é ter clareza sobre a própria realidade econômica, identificando exatamente quanto se ganha e quanto se gasta.

“É pegar papel e caneta. Se eu ganho R$ 2 mil, não é o limite do cartão, é o salário que cai na conta, preciso eliminar o supérfluo e listar gastos como aluguel, transporte, água, luz, telefone e supermercado”

Ela ressalta que, se não houver sobra no orçamento, é necessário complementar a renda ou reduzir despesas. “Para equilibrar as finanças, é preciso aumentar a receita e diminuir os gastos, criando uma reserva de emergência”, explica.

Outro problema recorrente, segundo a educadora financeira, é a falta de noção sobre o valor total das dívidas. “Muita gente não sabe quanto deve. Recebe o salário, paga algumas contas e falta dinheiro para o básico. Aí recorre ao cartão de crédito e ao cheque especial, o que só agrava a situação”, alerta.

Foto: Renato Andrade/Cidadeverde.com

Para quem já está endividado, a orientação é mudar o comportamento financeiro. “A primeira coisa é parar de comprar. Depois, parar de parcelar. Toda renegociação aumenta a dívida por causa de juros e multas”, afirma.

A recomendação é guardar dinheiro antes de negociar e priorizar dívidas essenciais. “É preciso juntar recursos para quitar a dívida e aproveitar feirões como os do Serasa. Priorizar o que envolve risco de perda, como casa e carro, e despesas básicas, como energia”, orienta.

Para a educadora financeira, enfrentar o endividamento exige organização e ação. “É colocar tudo no papel, criar um plano e, principalmente, parar de fazer novas dívidas”, conclui.

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