A doação de medula óssea é um ato de amor e solidariedade, que pode salvar vidas de pacientes com doenças graves, como leucemia, linfoma e outras condições que afetam a produção de células sanguíneas.

O Fevereiro Laranja é dedicado à conscientização sobre a leucemia e à doação de medula óssea. Informar a população é essencial para reconhecer sinais precoces da doença, buscar atendimento médico rapidamente e ampliar o número de doadores.
A leucemia é um tipo de câncer, e uma das doenças que podem ocorrer quando o funcionamento da medula óssea é afetado. Ela compromete a produção de células sanguíneas saudáveis, mas pode ser tratada com o transplante de medula. No entanto, encontrar um doador compatível é um grande desafio: a probabilidade é de apenas 1 em 100 mil.
A Coordenadora da Residência Médica em Hematologia e Hemoterapia do Hospital Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina, Giovanna Steffenello, explica o procedimento:
"O transplante de medula é a substituição daquela medula doente que está com leucemia por uma medula saudável. A gente tem basicamente dois tipos de transplantes: um é o autólogo, que as células são do próprio paciente, e o alogênico é quando as células vêm de algum doador compatível, que pode ser um doador da família (o paciente não é 100% compatível, mas tem algumas similaridades) ou um doador voluntário que vai estar cadastrado no REDOME, que é o Registro Nacional de Doadores de Medula".
Se o diagnóstico da leucemia já é devastador para um adulto, o impacto emocional em uma criança é ainda mais profundo. Para transformar essa realidade, a Make-A-Wish Brasil, organização que realiza sonhos de crianças com doenças graves, mobiliza uma rede de voluntários que se conectam com cada criança para descobrir seu desejo e criar um momento mágico para realizá-lo, como explica Juliana Ayrosa, consultora de impacto da organização:
"É importantíssimo não só termos as nossas crianças em tratamento, com o diagnóstico precoce, com todo o respaldo clínico que elas necessitam, mas principalmente a gente ter uma rede de apoio de amigos, de parceiros, de voluntários em toda a região do Brasil que nos ajuda a ir mais longe, a chegar a todas as crianças elegíveis e a conseguir promover essa transformação e esse sonho a chegar a todas as crianças".
Criador do projeto Caçadores de Medula, André Torres transformou seu diagnóstico de leucemia, em 2018, em uma missão de vida. Após vencer a doença com um transplante de medula em 2019, ele passou a integrar a Abrale (Associação Brasileira de Câncer do Sangue), para ampliar o alcance de sua iniciativa. O projeto nasceu de uma ideia simples durante sua própria batalha pela cura e hoje serve de exemplo para milhares de pacientes.
"Minha esposa levou meu filho Davi, que na época tinha pouco mais de um ano, para uma campanha de doação de sangue e colocou uma plaquinha de papelão nas costas dele com o nome "Caçadores de Medula". E uma outra plaquinha na motoquinha que ele estava andando: "Procuro uma medula para o meu papai, conto com você". Ele foi muito registrado, minha esposa postou nas redes sociais e mandou a foto para mim também. Para mim, aquilo ali foi muito importante porque eu, internado, e meu filho — mesmo sem entender, lá fora — querendo salvar a vida do pai, fazendo a parte dele".
A medula é um tecido esponjoso, localizado dentro dos ossos. Sua doação é um processo simples e seguro, que envolve a coleta de células-tronco. O procedimento é feito com anestesia e o doador não sente dor. A medula é coletada de um osso do quadril.
Para se tornar um doador, é necessário cadastrar-se em um hemocentro. Além disso, é preciso ter entre 18 e 55 anos e estar em boa saúde, pesar no mínimo 50 quilos e doar 5 mililitros de sangue para análise de compatibilidade.
