O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou a indicação do secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, e do professor da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, Tiago Cavalcanti, para diretoria do Banco Central. Haddad concedeu uma entrevista à rádio BandNews nesta terça-feira (3).

Segundo Haddad, ele apenas sugeriu os nomes ao presidente Lula três meses atrás e nunca mais trataram do assunto. O ministro afirmou que é o presidente quem fará a escolha e, quando fizer, vai ser anunciado. Ele também reclamou do vazamento dos nomes.
"O vazamento, se a pessoa quis ajudar, atrapalhou, ao vazar; e se a pessoa quis atrapalhar uma sugestão, ela agiu mal para os envolvidos. Por isso que temas como esse não são tratados da maneira como surgiu nos jornais. Agora, eu acho estranho uma reação orquestrada assim, até de ex-diretores, até deselegante."
Guilherme Mello é mestre em Economia Política pela PUC de São Paulo e doutor em Ciência Econômica pela Unicamp. Ele está na secretaria há três anos. Tiago Cavalcanti é PhD em Economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, e atualmente é professor em Cambridge e na FGV em São Paulo.
Judiciário, Correios e Master
O ministro também falou sobre as decisões judiciais que retiraram as despesas do Judiciário do arcabouço fiscal. O que ele considera errado.
"Conceitualmente, do ponto de vista econômico, é uma decisão que efetivamente não é boa, pro arcabouço. Mas é de um poder que não está sob controle, nesse caso, nem do Executivo, nem do Legislativo."
Sobre os Correios, que têm o desafio de vencer déficits bilionários, o ministro Fernando Haddad afirmou que as soluções mais adequadas no mundo têm sido a readequação das atividades e não a privatização.
"O que parece ser o caminho é a reestruturação dos Correios, aliando o serviço de postagem com outros serviços, inclusive associados a bancos, seguradoras, esse tipo de coisa que está acontecendo mundo afora. A promessa da atual diretoria com o empréstimo que foi feito é de, com esse dinheiro, reestruturar a companhia nessa direção."
O ministro da Fazenda defendeu as investigações no caso do Banco Master e o rastreio do dinheiro, para entender o que aconteceu.
