Uma operação policial deflagrada no dia 30 de janeiro, no município de Valença do Piauí, voltou ao centro do debate após denúncias de supostos excessos cometidos durante a ação. A operação foi realizada pela Secretaria de Segurança Pública do Piauí, por meio da Polícia Civil e Militar, com foco no combate ao tráfico de drogas.
Segundo a SSP-PI, a ação resultou no cumprimento de seis mandados judiciais, na prisão de cinco suspeitos e na apreensão de drogas. A operação foi coordenada pela Delegacia Seccional de Valença, com apoio do Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO), Delegacia Seccional de Picos, Inteligência da Secretaria de Segurança Pública e Polícia Militar, através do Batalhão Especial de Policiamento do Interior (BEPI).
Advogado relata bastidores e classifica ação como “desastrosa”
Em entrevista ao Portal V1, o advogado Dr. Joaquim Rêgo, que representa familiares de um dos alvos da operação, relatou uma série de supostas irregularidades e agressões ocorridas durante a ação policial.
Segundo ele, os agentes teriam entrado em uma residência que não constava no mandado judicial e, durante o cumprimento da operação, teriam ocorrido agressões contra o alvo da prisão e seus familiares.
“Eles adentraram uma casa onde esse endereço não figurava no mandado de busca e lá fizeram busca, nesse mesmo perímetro, a uma outra casa da segunda pessoa que fora presa em razão de algumas acusações que nós entendemos falsas e a partir de então, foi agredido o pai da pessoa que sofreu o mandado de prisão foi agredido a irmã da pessoa que sofreu o mandado de prisão e foi agredido a pessoa que sofreu o mandado de prisão.”
O advogado também questionou a ausência de imagens internas da ação, alegando que apenas a chegada e a saída dos policiais foram registradas.
“O que nos causa estranheza é que a ação foi filmada na entrada e na saída mas por que não nesse interstício? Não há filmagens, há relatos de que uma pessoa pegou uma faca e investiu contra os policiais há relatos de que outras pessoas perturbavam o cumprimento deste mandado e o que nos faria, o que nos discerniria se verdade ou se mentira, seriam as imagens mas estas não figuram lá, figuram apenas a parte que os beneficiam.”
Suposto desaparecimento de celular e denúncias de agressão
Ainda de acordo com Dr. Rêgo, uma familiar teria tentado registrar as supostas agressões, mas o celular teria sido tomado por agentes.
“A minha constituinte narra que ao pegar o celular para gravar a ação de violência contra o seu pai e contra o seu irmão, o celular fora tomado pelos agentes mas por quem? Ela não sabe dizer porque muitos deles vão com bala clavas e não tem nenhuma especificação de nome, não há identificação.”
O advogado afirmou ainda que a mulher teria relatado ter sofrido agressão.
“Ela alega que fora agredida pelo delegado, ela alega isso na audiência de custódia o pai resultou lesionado no rosto e na perna e o irmão sofreu dois tiros de bala de borracha em toda essa ação desastrosa que houve nesse dia 30 de janeiro na cidade de Valência do Piauí.”
Outro ponto levantado foi a confecção de um novo exame de corpo de delito após questionamentos da defesa.
“Quando eu cheguei à Delegacia de Polícia, a pessoa que havia sofrido dois tiros de bala de borracha, ele tinha dois hematomas na coxa direita e o primeiro laudo a ser especificado, o médico relatava, apenas, que não existia lesões aparentes. Realmente, não estavam aparentes, se ele não examinou. E aí eu fiz um vídeo, demonstrando onde ele estava lesionado, e magicamente surgiu um novo exame de corpo delito para ele, a pessoa que era alvo do mandado de prisão e esse novo laudo, constatou as lesões que outrora não havia constatado.”
Segundo o advogado, o pai e a irmã do investigado também passaram por exames periciais.
Além disso, o advogado estranhou o emprego de unidades especializadas em uma ação que, segundo ele, envolvia cumprimento de mandado de prisão por violência doméstica, e criticou o que chamou de “roteiro cinematográfico” que vem sendo adotado em operações recentes.
Busca por imagens e alerta sobre possível divulgação
A defesa informou que solicitou juntamente com o Ministério Publico as imagens e informações sobre a operação a diversos órgãos de segurança.
“Lá foi requerido ofícios à Draco, foi requerido ofícios a Delegacia Geral de Polícia Civil fizemos requerimento de ofício, até mesmo à Delegacia de Polícia, para que mostre o circuito interno, porque o celular da moça, que filmava a ação sumiu. Nem está na casa e não está apreendido nos autos.”
O advogado afirmou que busca o aparelho e fez um alerta sobre a existência de cópias em nuvem.
“Nós estamos na busca desse celular mas se esse celular não aparecer, fica aqui a dica, que a nuvem está logada em um outro celular é melhor que o celular apareça, porque senão as imagens aparecerão de uma outra forma e ficará ainda mais feio, além do que já está.”
Posicionamento da Secretaria de Segurança
O Portal V1 tentou contato com a Secretaria de Segurança Pública do Piauí para obter um posicionamento sobre as denúncias, mas até o fechamento desta matéria não houve resposta. O espaço segue aberto para esclarecimentos.