Foto: Jailson Soares/Cidadeverde.com
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Atualizada às 12h54
O laudo da Polícia Federal, que analisou o relatório de extração de dados do celular da vereadora Tatiana Medeiros, apontou que não foram encontrados ordem direta de compra de votos nas eleições municipais de 2024 e nem indícios de vínculo com facção criminosa. O laudo é uma das peças que integram as investigações da Ação Penal Eleitoral e o exame foi elaborado a partir de relatório de extração forense do aparelho, e não do celular físico.
Tatiana Medeiros está presa desde abril do ano passado sob suspeita de crimes eleitorais e envolvimento com organização criminosa. A audiência de instrução e julgamento foi realizada no final de novembro e aguarda sentença.
A perícia da Polícia Federal, realizada pelo perito criminal Weyler Nunes, aponta que há registros de transferências bancárias, via pix, no dia da eleição, imagens com comprovação de votação, planilhas com nomes de eleitores no celular da vereadora. No entanto, o laudo garante que não encontrou “determinação explícita de compra de votos”.
A perícia ressalta que sem o aparelho não é possível avaliar se os dados foram completamente preservados e que as informações são baseadas a partir do relatório gerado dos dados extraídos. As conversas foram apresentadas em forma de imagens copiadas diretamente do relatório técnico, sem transcrição manual por parte dos agentes.
O perito afirma que esses registros podem indicar possibilidade de relação com compra de votos, mas não aponta ordem expressa.
“Apesar de haver várias referências ao termo “compra de votos”, em diálogos do relatório de extração em referência, muitos dos quais fazendo alusão a notícias veiculadas na mídia, não foi localizado determinação explícita de compra de votos, referente ao pleito de Vereador do ano de 2024, associada à investigada, “Tatiana Teixeira Medeiros”. Ressalta-se, no entanto, que há muitas conversas, obtidas de arquivos extraídos do aplicativo de mensagem instantânea WhatsApp, com registros de transferências bancárias pelo sistema PIX, no dia 06/10/2024, data do pleito eleitoral de 2024, assim como de imagens com comprovante de votação e título de eleitor, e de planilhas com nomes e quantidades de eleitores, evidenciando a possibilidade de relação com a prática de compra de votos”, diz em trecho do relatório.
Foto: Reprodução

O perito ressalta ainda que não foi localizada determinação expressa na troca de serviços filantrópicos por votos, porém admite limitação prática na análise total, com mais de 13 mil arquivos.
“Não foi localizado, no relatório examinado, determinação expressa para permuta de serviços filantrópicos por votos, a favor da investigada, referente ao pleito eleitoral de 2024. Ressalta-se, no entanto, como exposto na Seção III, que a grande quantidade de arquivos contendo diálogos extraídos do aparelho em questão, mais de 13.000, e nos mais variados contextos, dificulta de sobremaneira uma análise exaustiva para que se possa chegar a uma resposta inequívoca”, analisa.
Facção Criminosa
Sobre a eventual ligação com a facção criminosa “Bonde dos 40”, o laudo informa que não foi identificada participação da investigada em grupo de mensagens destinado a integrantes da organização.
As referências ao termo “Bonde dos 40” encontradas no relatório de extração estavam inseridas em conversas que faziam alusão a notícias veiculadas na mídia, sem indicação de interlocução direta com membros da facção, até mesmo com o então namorado Alandilson Cardos que trata explicitamente de compra de votos ou de negociação do mandato de vereadora em troca de benefício ilícito à facção mencionada.
Foto: Reprodução

Laudo afasta envolvimento de Tatiana com facção, diz advogado
O advogado Samuel Castelo Branco, que faz defesa de Tatiana Medeiros, garantiu que a perícia da PF afasta possibilidade de envolvimento da parlamentar com facção criminosa e compra de votos.
“É um vasto acervo de dados e o laudo, praticamente afasta qualquer envolvimento, na minha visão, da vereadora com facção criminosa, assim como também afasta alguma determinação expressa de Tatiana para alguma liderança determinando compra de votos, troca ou permuta ao assistencialismo que ela fazia”, disse o advogado.
Samuel reforçou que o laudo confirma que Tatiana não tem vínculo com o Bonde dos 40. O advogado confirmou que as 13 perguntas foram formuladas pela defesa, pois a “PF deixou requisitos meio aberto”, afirmou.
Movimentação financeira
O advogado disse que desde o início a PF apresenta a movimentação financeira no dia da eleição como indício de compra de votos.
“Mas cabalmente uma determinação dela para a compra de votos não existe, mas o que existe é alguns pix que possivelmente há indícios, mas entre o possivelmente e a certeza, eu não luto contra provas. A prova é o laudo, o que pode vir a ser não é prova”, disse.