Marcada por desfiles com menos erros e mais brilho, a segunda noite de apresentações do Grupo Especial do carnaval do Rio empolgou o público com enredos biográficos e de apelo popular.
A vida de Rita Lee entrou na avenida pela Mocidade Independente de Padre Miguel, a primeira da noite. O carnavalesco Renato Lage apostou em muitas cores para retratar a cantora como símbolo de liberdade artística e feminina.
A exceção foi a alegoria que lembrou o período da Ditadura Militar, quando Rita teve várias músicas censuradas. Com tons acizentados, a escola levou pra avenida o 'Xadrez 21', local em que a artista ficou presa acusada de pose de droga. Uma ovelha negra fumando um cigarro fez referência a uma das músicas mais famosas da cantora.
Lança Perfume e Cor de Rosa Choque também foram lembradas, além dos famosos óculos hippie, marca registrada da artista.
A Mocidade também lembrou a paixão da Rita Lee pelos animais, com um referência ao cão Orelha, morto em Florianópolis.
Com imponência, a atual campeã Beija-Flor de Nilópolis 'fez a Passarela virar macumba'. A escola contou a história do Bembé do Mercado, o maior candomblé de rua do mundo, em Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano.
O samba foi cantado por Jéssica Martin e Nino do Milênio no primeiro ano sem Neguinho da Beija-Flor, que se aposentou da função de intérprete no ano passado. A letra estava na boca do público em meio a gritos de 'É campeã'.Neguinho da Beija-Flor contou como foi a nova experiência como 'baluarte'.
Moacyr Silva Pinto, o Ciça, assumiu uma dupla tarefa: o de mestre de bateria e homenageado! Num desfile com emoção e uma catarse nas arquibancadas, a Viradouro reverenciou um dos ícones mais queridos do Carnaval carioca.
Mestre Ciça apareceu primeiro como destaque na comissão de frente. Depois, atravessou novamente a Avenida para comandar a bateria. Para conseguir cumprir o trajeto a tempo, usou até uma cadeira de rodas e uma moto.
Uma supresa foi a bateria ser colocada sobre um carro alegórico, numa releitura de algo feito pela escola em 2007. O desfile teve direito a retorno de ex-componentes, como a atriz Juliana Paes como rainha de bateria e o carnavalesco Paulo Barros. Para Ciça, a emoção prevaleceu.
Última a se apresentar, a Unidos da Tijuca, teve dificuldades de manter a empolgação da Sapucaí. A escola homenageou a escritora negra Carolina Maria de Jesus, conhecida pelo livro “Quarto de Despejo” onde relatou o cotidiano como moradora de uma favela.
A agremiação teve problemas com o gigantismo das alegorias. A escola, no entanto, se esforçou para mostrar um bonito desfile com a ajuda da bateria do Mestre Casagrande.
Personalidades negras, como a também escritora Conceição Evaristo e a jornalista Flávia Oliveira, participaram da apresentação carregando mensagens contra o racismo. A filha de Carolina, Vera Eunice, desfilou emocionada no último carro.
A Paraíso do Tuiuti abre a terceira noite de apresentações nesta terça-feira. Na sequência, Vila Isabel, Grande Rio e Salgueiro.