O embaixador do Brasil em Teerã, André Veras, disse nesta segunda-feira (9/3) que a escolha do filho de Ali Khamenei para o cargo de Líder Supremo do Irã foi uma surpresa, já que a Revolução Islâmica de 1979 combatia justamente um regime hereditário. A afirmação foi em entrevista ao programa Alô Alô Brasil, de José Luiz Datena, da Rádio Nacional. 

O embaixador André Veras ainda deu detalhes sobre a situação no país hoje. De acordo com ele, a sucessão de pai para filho abre espaço para ser percebida como uma continuidade da estrutura que o regime jurou substituir, o que pode gerar problemas de aceitação por parte do povo iraniano. Apesar da surpresa com o nome escolhido, o embaixador brasileiro avalia que o Irã tem forte estrutura institucional e legal que fortalece a nomeação do novo Líder Supremo.
"Qualquer desaparecimento de qualquer uma das funções do Estado, ele tem um processo automático de substituição e nomeação do substituto. Não foi surpresa a nomeação de um novo líder supremo. Foi um pouco surpresa terem escolhido o filho do Khamenei. Não só porque ele não era um aiatolá, mas também pelas implicações que isso pode ter internamente em termos de aceitação."
"Nesse tipo de guerra só há perdedores. Mesmo que alguns possam pensar 'ah, porque o mercado, o fornecimento de petróleo do mundo vai favorecer este ou aquele país', no fundo, numa economia globalizada, todos perdem. Mas estamos, sim, estamos em contato permanente. Tento manter a serenidade, mas eu vivo também apreensivo, eu vivo também com receio, porque não dá para ficar calmo ou tranquilo quando bombas estão caindo o tempo todo."
Veras disse que a embaixada brasileira tem prestado apenas atendimentos pontuais e que mantém contato diário com Brasília.
