Famílias consomem muito ultraprocessados, apesar de alerta nos rótulos

Famílias consomem muito ultraprocessados, apesar de alerta nos rótulos

leandro santos
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Brasília - O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, acompanha fiscalização de produtos derivados de carne em supermercados (José Cruz/Agência Brasil)
© JOSÉ CRUZ/AGÊNCIA BRASIL

Alimentos ultraprocessados ainda estão associados à ideia de “infância feliz” e até de status social, mesmo entre famílias que afirmam se preocupar com a saúde dos filhos. É o que mostra um novo estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância, o Unicef. 

O levantamento revela que a rotulagem nutricional frontal, implementada no Brasil em 2022, ainda influencia pouco as decisões de compra. Para Stephanie Amaral, oficial de Saúde e Nutrição do Unicef, a maioria das famílias não entende e raramente usa esse recurso para escolher os alimentos...

“A lupa que fica na frente dos alimentos, foi justamente implementada no sentido de apoiar escolhas alimentares mais saudáveis. Essa pesquisa mostra que 55% por cento dessas pessoas nunca utilizaram a lupa pra escolher o que comprar e 15% acham que os alimentos com a lupa são mais saudáveis ou até tão saudáveis quanto outros alimentos, o que está vinculado a uma falta de entendimento histórica da rotulagem”. 

O estudo foi realizado em comunidades urbanas de três regiões do país: Pavuna, no Rio de Janeiro; Ibura, em Recife; e Guamá, em Belém. Os dados apontam que os ultraprocessados são consumidos principalmente nos lanches. Metade das crianças entrevistadas consumiu esse produto no dia anterior à pesquisa.

Outro dado preocupante é que 55% dos entrevistados disseram nunca olhar os rótulos dos alimentos. Muitos acreditam que iogurtes com sabor ou empanados preparados na air fryer são nutritivos, o que o estudo chama de “falsos saudáveis”.

Apesar disso, 84% das famílias afirmam estar muito preocupadas com uma alimentação saudável. Segundo o Unicef, fatores como preços dos alimentos, praticidade e sobrecarga das mães acabam pesando nas escolhas.

O cenário para a saúde pública é preocupante: a obesidade tornou-se a face mais comum da má nutrição entre crianças e adolescentes no Brasil. Em 2023, o excesso de peso atingia mais de 13% das crianças de até cinco anos e superava os 30% entre os adolescentes.

O estudo também identifica desafios para a prática de atividade física, como falta de segurança e de espaços adequados, apesar do reconhecimento de sua importância. Por outro lado, destaca pontos positivos, como a cultura das refeições caseiras e políticas públicas que incentivam uma alimentação mais saudável desde a infância.

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