Com as incertezas da guerra no Irã, o mercado financeiro voltou a elevar a projeção de inflação e de taxa de juros no Boletim Focus. A nova edição do relatório foi publicada nesta segunda-feira (16) pelo Banco Central (BC).

A expectativa agora é que o índice oficial de inflação, o IPCA, termine o ano a 4,1%. Há duas semanas, a estimativa apontava para 3,91%.
E na véspera da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) - a ser realizada nos dias 17 e 18 de março -, que tem a expectativa de corte na taxa básica de juros, os analistas do setor privado aumentaram para 12,25% ao ano a previsão para a taxa Selic em 2026.
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O economista Newton Marques afirma que essa mudança no boletim veio da decisão dos Estados Unidos de manter os ataques por mais tempo. Isso fez o Irã reagir, atacando bases americanas em países vizinhos e restringindo o fluxo de navios no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial.
"Não existe nenhum país no mundo, ou países no mundo, que consigam suprir energia, petróleo e gás para o mundo se não for a partir do Oriente Médio. Então há uma incerteza muito grande e só posso esperar o pior possível enquanto Estados Unidos e Israel continuarem a atacar o Irã, infelizmente".
Com o petróleo pressionado, os preços de combustíveis, gás, energia acabam subindo e gerando inflação em outros setores.
Para o professor de Mercado Financeiro da Universidade de Brasília (UnB), Cesar Bergo, as preocupações relacionadas à guerra começam a atingir o Brasil.
"A projeção para uma Selic maior não é boa, obviamente, mas acredito que pode, no decorrer do primeiro semestre, surgir fatos novos que levem o Banco Central a reduzir numa velocidade maior a taxa de juros".
O Boletim Focus trouxe ainda um leve aumento na expectativa para o crescimento econômico, subindo para 1,83%. E o dólar deve terminar o ano a R$ 5,40.
