O diagnóstico precoce é ferramenta essencial para evitar que a doença nos rins chegue a estágios mais graves. Uma campanha nesta quinta-feira (12), Dia Mundial do Rim, faz esse alerta à população.

Juliana Ferreira, de 40 anos, convive com diabetes há 28 anos. Há 10, recebeu o diagnóstico de doença renal crônica quando desenvolveu hipertensão após rejeição de um órgão transplantado. Precisou mudar o estilo de vida e atualmente faz hemodiálise três vezes por semana.
"A minha condição me deixou cardiopata há dois anos e o diagnóstico foi bem difícil de aceitar. Mas hoje eu encaro numa boa, tenho uma qualidade de vida muito boa, como a de qualquer outra pessoa que não tenha a doença."
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, 10% da população do planeta tem a doença renal crônica. No Brasil, a ocorrência entre adultos é estimada em 6,7%, triplicando entre quem tem 60 anos ou mais de idade, segundo o último Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, publicado em setembro de 2024.
Os rins são responsáveis por filtrar toxinas do organismo, regular a pressão arterial e até estimular a medula a produzir glóbulos vermelhos, explica o nefrologista Paulo Henrique Fraxino, vice-presidente Sul da Sociedade Brasileira de Nefrologia.
"Quando essa doença se desenvolve, todos esses sistemas serão comprometidos. Já há algum tempo, está estabelecida a relação íntima entre doença cardíaca, renal e distúrbios do metabolismo, ao que chamamos de síndrome cardio-renal-metabólica."
A doença renal crônica é silenciosa e só aparece nas fases mais avançadas, explica o médico. Por isso, é importante conhecer quem tem mais chance de ter o problema: pessoas com hipertensão, diabetes, obesidade, infecções urinárias de repetição, de pedras nos rins e idosos. Realizar dois exames baratos e disponíveis na rede pública também ajuda no diagnóstico precoce: o de creatinina no sangue e o da relação albumina e creatinina na urina. Paulo Henrique Fraxino completa:
"Uma vez o diagnóstico sendo feito precoce e o tratamento adequado sendo estabelecido, nós podemos retardar em até 20 anos o desenvolvimento de uma insuficiência renal que a gente diz terminal, que é a perda completa da função do rim e esse paciente, daí, só teria como tratamento ou a diálise ou o transplante renal."
Para alertar sobre tudo isso, a Vozes do Advocacy, que é a Federação de Associações e Institutos de Diabetes e Obesidade, realiza ações em 12 cidades durante este mês, diz a presidente Vanessa Pirolo.
"Nós temos, infelizmente, mais de 172 mil pacientes em diálise no país e parte desses pacientes poderia ter evitado a questão da diálise se houvesse o diagnóstico precoce da doença renal do diabetes."
