Perseguição e ameaça antecederam estupro em delegacia; polícia orienta denúncia

Perseguição e ameaça antecederam estupro em delegacia; polícia orienta denúncia

leandro santos
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A investigação da Polícia Civil do Piauí aponta que a servidora vítima de estupro dentro da Delegacia Geral, em Teresina, já vinha sendo importunada pelo suspeito antes do crime, mas não chegou a formalizar denúncia.

De acordo com o delegado-geral, Luccy Keiko, a vítima relatou à família episódios de incômodo causados pelo investigado, que foi indiciado por estupro qualificado e stalking.


“Então ele não a conhecia só há três meses, mas há mais tempo. Ela narrou à família que estava sendo importunada por ele, mas evitava fazer alguma denúncia. Pelo que eu a conheço, ela achava que resolveria sozinha. E não resolve sozinho. Por isso a gente estimula as mulheres a denunciarem qualquer ato de violência física ou psicológica”, afirmou.

Mensagens encontradas no celular da vítima e do suspeito indicam insistência, controle e teor ameaçador ao longo de mais de um ano. A filha da servidora afirmou que encontrou mensagens no celular da mãe com teor de ameaça.

“Eu dei uma breve olhada antes de entregar [o celular] para a polícia e tinha alguns prints de mensagens, como se ele ameaçasse, [dizendo que] se ela não fosse onde ele estava, na sala dele, falar com ele, ele iria na nossa casa”, relatou.

O delegado destacou a importância de que casos de importunação, ameaça ou perseguição sejam comunicados às autoridades ainda nos primeiros sinais.

Segundo ele, a tentativa de lidar com a situação de forma isolada pode agravar o risco para a vítima.
Crime de stalking

O crime de stalking foi constatado após análise do celular da vítima e do suspeito. Nos aparelhos foram encontradas mensagens do suspeito com tom obssessivo, de ameaça e perseguição.

O Cidadeverde.com apurou que as mensagens do suspeito vinham sendo enviadas a mais de um ano. A servidora relatou a família que estava sendo importunada pelo suspeito, mas evitava fazer denúncia.


"O acusado foi preso em flagrante e delito na Casa da Mulher Brasileira. A priore vimos que se tratava de um crime de estupro, mas no decorrer das investigações, como a delegada falou, juntou-se provas que se constatou o crime de stalking. Por eles trabalharem juntos ele pertubava a vítima e isso levou para o indiciamento de stalking", disse a delegada Lucivania Vidal, titular da Casa da Mulher Brasileira.
Vítima segue em recuperação

A servidora chegou a ser internada em estado grave após o crime e ficou na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Atualmente, ela deixou a UTI, mas ainda necessita de cuidados médicos.

O delegado-geral afirmou ter acompanhado o estado de saúde da vítima durante a recuperação.


“Estive com ela, ela quando me viu sorriu. Eu falei ‘Deus está contigo’, e ela ‘está conosco’. Então saí muito emocionado. Hoje eu a visitei novamente, ela está em recuperação, saiu da UTI, mas ainda demanda muitos cuidados. Isso realmente deixou todos nós desgastados emocionalmente, algumas pessoas daqui precisaram até de atendimento psicológico, mas o importante nesse momento é cuidar da vítima e fazer o que nós fizemos: um inquérito rápido, dentro do prazo”, relatou.

A vítima ainda não foi ouvida formalmente devido ao estado de saúde.

‘Caso feriu todas nós mulheres’, diz delegada

O prestador de serviço terceirizado foi preso em flagrante e teve a prisão convertida em preventiva após audiência de custódia. De acordo com a apuração, ele foi ouvido duas vezes e apresentou versões conflitantes sobre os fatos. Agora, ele está indiciado.

"Enquanto gestão intervimos no processo de transferência da vítima a uma unidade particular como era anseio da sua família. Esse caso realmente feriu e chocou todas nós mulheres, em especial nós mulheres lotadas nesta unidade, na delegacia-geral. Trabalhamos todos os dias incansavelmente para que mulheres e meninas sejam protegidas. Trabalhamos ao lado de homens em um ambiente predominantemente masculino, mas respeitoso e harmônico. Importante destacar que a conduta deste indivíduo destoa completamente da conduta dos delegados, dos oficiais investigadores, dos servidores administrativos desta unidade", delegada-geral adjunta, Adriana Xavier.
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