Polícia fecha central do "falso advogado" em SP; entenda o esquema

Polícia fecha central do "falso advogado" em SP; entenda o esquema

leandro santos
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A Polícia Civil de São Paulo desmantelou, na quinta-feira (26), uma central usada para aplicar o golpe do “falso advogado”, no Jardim das Flores, em Suzano, na Grande São Paulo. Dez pessoas, com idades entre 18 e 48 anos — nove homens e uma mulher — foram presas em flagrante.

Os policiais chegaram ao endereço após denúncia anônima e encontraram o grupo em plena atividade. Durante a ação, alguns suspeitos tentaram destruir aparelhos para evitar a apreensão de provas.

No local, foram apreendidos 25 celulares, nove notebooks, cinco veículos e cadernos com anotações que detalhavam como abordar as vítimas.

Segundo as investigações, o grupo informava às vítimas que havia valores a receber na Justiça e, a partir disso, pedia pagamentos para liberar o dinheiro. Os suspeitos usavam roteiros prontos e tinham acesso a dados pessoais, o que facilitava a aplicação dos golpes.

Os materiais serão analisados pela perícia. Os dez presos vão responder por estelionato e associação criminosa. O caso segue em investigação.

Esta é a segunda ação contra esse tipo de crime na semana. Na quarta-feira (25), outras 16 pessoas foram presas em um imóvel em Ermelino Matarazzo, na zona leste da capital.

Os policiais foram ao local após denúncia e encontraram movimentação intensa de pessoas entrando e saindo. Um dos suspeitos confirmou que o imóvel funcionava como base do esquema. No fundo da casa, havia várias pessoas usando computadores. Em um dos equipamentos, os agentes encontraram uma conversa com o envio de um comprovante de R$ 1,3 mil feito por uma vítima. Também foi localizado um boletim de ocorrência que confirmava o golpe.

Como se proteger do golpe do falso advogado

O advogado e especialista em direito empresarial e compliance Fernando Moreira explicou, em entrevista ao News Primeira Edição, que esse tipo de golpe mudou nos últimos anos. Antes, as abordagens eram feitas por e-mail. Hoje, os criminosos usam principalmente o WhatsApp e ferramentas que fazem com que a conversa pareça real. “Muitas vezes a mensagem chega com voz e imagem. Mesmo chamadas de vídeo podem ser falsas. Eles usam dados disponíveis na internet para simular o contato com o advogado. Pode parecer verdadeiro”, afirma.

A principal orientação é não agir por impulso. Os golpistas tentam criar um senso de urgência para que a vítima faça a transferência rapidamente. “Desligue e entre em contato pelos canais que você já conhece. Procure o número oficial do escritório ou do advogado em caso de dúvida”, orienta o advogado.

Outro ponto importante, segundo o especialista, é que não existe cobrança para liberar dinheiro de processos. Os golpistas dizem que a pessoa ganhou a ação e precisa pagar uma taxa para receber, mas a Justiça não cobra para liberar valores.

Caso a transferência já tenha sido feita, é importante agir rápido. Hoje, os bancos têm um mecanismo para tentar bloquear o valor transferido via Pix, mas a contestação deve ser feita imediatamente pelo aplicativo.

Segundo o especialista, os criminosos movimentam o dinheiro em poucos minutos, o que dificulta a recuperação. Por isso, agir rápido faz toda a diferença para evitar o prejuízo.

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