Preço do petróleo sobe nesta segunda com novos ataques no Oriente Médio

Preço do petróleo sobe nesta segunda com novos ataques no Oriente Médio

leandro santos
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 Foto: Jade Araujo/Cidadeverde.com

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O preço do petróleo está em alta nesta segunda-feira (30) com a continuidade dos confrontos entre Israel e Irã, e a ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de invadir a ilha de Kharg, por onde a maior parte do petróleo iraniano é exportada.

O contrato de junho do barril Brent, referência mundial, chegou a ser negociado a US$ 109,44, alta de 3,91%, às 22h (horário de Brasília) de domingo (29), mas abaixou para o patamar entre US$ 107 e US$ 108. Às 9h45 desta segunda-feira (30), ele era vendido a US$ 107,16, subida de 1,75%. Já o contrato de maio era cotado a US$ 114,55, que valorizava 1,98%.

Desde o início do conflito, no dia 28 de fevereiro, até a última sexta (27), os futuros da commodity já haviam avançado mais de 45%, em meio ao desabastecimento provocado pelas interrupções do fluxo de petróleo no estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial. Antes dos ataques, o Brent estava a US$ 72,48.

Já o barril WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, era negociado a US$ 100,51, alta de 0,87%, no contrato de junho, enquanto o de maio era vendido a US$ 100,83.
Iranianos e israelenses voltaram a se atacar nesta segunda, horas após Trump afirmar que as negociações para o fim do confronto "estavam bem" e que estaria mais próximo de um acordo.

O Exército israelense anunciou na manhã de segunda-feira que suas forças atacam "atualmente infraestruturas militares do regime de terror iraniano ao longo de Teerã". Ao mesmo tempo, o exército do país informou que havia detectado mísseis lançados do Irã e que levaram ao acionamento dos sistemas de defesa.

Na noite de domingo, Trump afirmou que sua "preferência seria tomar o petróleo" do Irã, comparando a possível medida à Venezuela, onde os EUA passaram a controlar a indústria petrolífera e a receita obtida com a venda do petróleo local após invadirem o país e capturarem o ditador Nicolás Maduro em janeiro.

"Para ser honesto com você, minha coisa favorita é tomar o petróleo do Irã, mas algumas pessoas estúpidas nos EUA dizem: 'por que você está fazendo isso?' Mas são pessoas estúpidas", disse Trump ao jornal Financial Times.

Tal medida envolveria tomar a ilha de Kharg, por onde a maior parte do petróleo do Irã é exportada. Na semana passada, o Pentágono determinou o envio de mais 10 mil soldados para o Oriente Médio. Com a chegada de 3.500 na última sexta-feira (27), o país soma mais de 50 mil militares na ação.

O presidente norte-americano também afirmou que o Irã permitirá o trânsito de 20 navios-petroleiros pelo estreito de Hormuz, por onde trafega 20% da produção mundial de petróleo e GNL (gás natural liquefeito).

O regime iraniano afirmou que já se prepara para coibir uma possível incursão terrestre das tropas norte-americanas. "Publicamente, o inimigo envia mensagens de negociação e diálogo enquanto, em segredo, planeja uma ofensiva terrestre", afirmou o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, em comunicado.

"Nossos homens aguardam a chegada dos soldados americanos em terra para atacá-los e punir de uma vez por todas seus aliados regionais", comentou Ghalibaf. A Guarda Revolucionária do Irã disse que bombardeou com mísseis balísticos um complexo industrial no sul de Israel em resposta aos ataques sofridos.

O Irã também confirmou a morte do comandante da Marinha da Guarda Revolucionária, Alireza Tangsiri. Na semana passada, Israel havia anunciado que tinha matado Tangsiri em um bombardeio. Ele seria o responsável pela estratégia para manter o bloqueio no estreito de Hormuz.

A entrada dos houthis, grupo que atua principalmente no Iêmen, no confronto no último sábado (28) causou preocupação nos investidores. "Os ataques no golfo continuaram durante o fim de semana, com uma nova camada de risco surgindo quando os houthis do Iêmen entraram na disputa, o que pode restringir o transporte marítimo no Mar Vermelho, adicionando outro ponto de estrangulamento ao fornecimento de petróleo", afirmou Richard Hunter, diretor de mercados da Interactive Investor.

A situação no Oriente Médio causou reações diferentes no mercado financeiro. As Bolsas da Europa estão em alta nesta segunda, mas a maioria dos mercados na Ásia fecharam em baixa.

O índice Euro STOXX 600, referência na União Europeia, estava em alta de 0,31%, às 9h20, em tendência seguida em Frankfurt (0,23%), Londres (0,98%), Paris (0,38%), Madri (0,35%) e Milão (0,68%).

Já na Ásia, os principais índices tiveram queda como ocorreu em Tóquio (-2,81%), Seul (-2,97%), Hong Kong (-0,81%) e Taiwan (-1,8%). A exceção foi Xangai, que subiu 0,24%, apesar de o índice CSI300, que reúne as principais companhias em Xangai e Shenzhen, ter fechado em queda de 0,24%.

Os preços do alumínio avançaram até cerca de 6% na Bolsa de Metais de Londres após ataques supostamente vindos do Irã terem atingido duas grandes usinas de alumínio no golfo Pérsico, levantando preocupações sobre interrupções no fornecimento.

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