Teresina: OAB aciona Justiça e exige medidas para transporte; prefeito critica

Teresina: OAB aciona Justiça e exige medidas para transporte; prefeito critica

leandro santos
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 Foto: Renato Andrade / Cidadeverde.com

Ônibus de Teresina na Av Frei Serafim

A Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Piauí ingressou com uma ação civil pública contra a Prefeitura de Teresina e a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (Strans) para tentar forçar a reestruturação do transporte público da capital. A medida inclui pedido de tutela de urgência e mira falhas consideradas estruturais na gestão do sistema.

Segundo a entidade, o objetivo é garantir a continuidade, regularidade e eficiência do serviço, além de ampliar a transparência sobre a operação e o uso de recursos públicos.


Em nota, a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito informou que já tomou conhecimento da ação e que o caso está sendo analisado pelas áreas técnicas e jurídicas do órgão. Já o prefeito Silvio Mendes afirmou nesta terça-feira (31) que o problema é complexo e que tem feito o possível para resolver a situação.(Confira ao final da reportagem) 

O presidente da OAB-PI, Raimundo Júnior, afirmou que a ação busca evitar um colapso no sistema de transporte coletivo.

“A primeira ação é garantir um plano emergencial para evitar o colapso total do sistema de transporte público coletivo aqui de Teresina. Nós temos uma preocupação enorme, inclusive por força do aumento dos combustíveis e da guerra, o que pode gerar ainda uma maior frustração desse serviço público essencial. Então, a nossa medida primordial é obrigar, via decisão judicial, que a omissão administrativa estrutural, institucionalizada já há muitos anos, seja resolvida, ao menos emergencialmente, mediante a apresentação de um plano ao Poder Judiciário que contemple a manutenção do sistema e, em certo prazo, a melhoria desse sistema”, destacou.

Falhas apontadas

A ação tem como base dados administrativos e relatório técnico do Tribunal de Contas do Estado do Piauí, que indicariam problemas recorrentes na gestão do transporte público.

Entre os principais pontos citados estão:

  • repasses de subsídios sem medição auditável do serviço;
  • falhas no sistema de bilhetagem eletrônica;
  • fiscalização considerada frágil por parte da STRANS;
  • ausência de indicadores oficiais de desempenho;
  • dificuldades na aplicação de penalidades às empresas;
  • mudanças em corredores exclusivos de ônibus sem respaldo técnico.

O que a OAB pede à Justiça

Na ação, a OAB-PI solicita que a Justiça determine medidas estruturais para reorganizar o sistema. Entre os principais pedidos estão:

  • apresentação de um plano emergencial com frota, linhas e horários;
  • criação de mecanismos de controle e medição auditável da operação;
  • auditoria independente no sistema de bilhetagem eletrônica;
  • divulgação periódica de dados operacionais e financeiros;
  • reforço da fiscalização;
  • revisão da Portaria STRANS nº 30/2025.

Em caráter de urgência, a entidade pede que o município apresente, em até 10 dias, um plano para evitar a redução da oferta de ônibus. Também solicita que, em até 15 dias, sejam implantados mecanismos formais de medição do serviço, vinculando repasses públicos ao desempenho das empresas.

Outro ponto é a exigência de transparência ativa, com divulgação semanal de dados do sistema.

Auditoria e acompanhamento judicial

A OAB-PI também pede a realização de auditoria independente da bilhetagem em até 30 dias e a abertura de um procedimento técnico para revisar o modelo de financiamento do transporte.

A ação solicita ainda a suspensão da Portaria STRANS nº 30/2025 até que haja comprovação técnica de sua adequação, além da realização de audiência de monitoramento em até 45 dias.

O processo prevê acompanhamento contínuo pelo Judiciário, com apresentação periódica de relatórios e possibilidade de multa diária em caso de descumprimento.

Prefeito se manifesta

Silvio Mendes afirmou nesta terça-feira (31) que o problema é complexo e que tem feito o possível para resolver a situação.

“Qualquer solução para o transporte público é bem-vinda, eu vou rezar muito para o milagre que a OAB possa fazer. Tem um estudo já feito pelo BNDES, que não está parado, é complexo. Talvez a OAB não tenha acompanhado ou não saiba tecnicamente como é que se conduz uma discussão dessa. O transporte público de Teresina é muito ruim, péssimo, considerado um dos piores das capitais do Brasil, mas tem um estudo que já foi feito pelo BNDES que aponta recursos de um bilhão e seiscentos milhões para resolver o transporte de Teresina e Timon. É preciso renovar o plano diretor que fiz no meu tempo em 2008, é preciso adaptar para o tempo atual", destacou.

Ele reforçou que a redução de passageiros é um grande problema. "Antigamente, os ônibus de Teresina transportavam mais de 60%, de 100, mais de 60 pessoas usavam ônibus, hoje são apenas 11 e isso não financia o custo do transporte público. A prefeitura precisa entrar com o subsídio, que eu sou contra, mas é obrigada a fazer, senão para. A prefeitura dá todo mês 6 milhões de reais de dinheiro do povo para o transporte público, cada ônibus custa 50 mil por mês. Só que existem outras necessidades da população e é preciso ter cautela.”, finalizou.

Confira nota da Strans na íntegra:

NOTA DE ESCLARECIMENTO – STRANS

A Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (STRANS) informa que tomou conhecimento da ação publicada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) referente à solicitação de regularização do transporte público em Teresina.

O órgão esclarece que o processo já está em análise pelos setores técnicos e jurídicos competentes, que atuam de forma criteriosa para avaliar todos os pontos apresentados.

A STRANS reforça que permanece com o mesmo compromisso de buscar soluções efetivas para o sistema de transporte público, pautando suas ações na transparência, responsabilidade e agilidade, sempre com foco na melhoria dos serviços prestados à população.

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