O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou na sua rede social Truth Social nesta segunda-feira (23) que teve, durante o final de semana, conversas com o Irã 'muito boas e produtivas a respeito de uma resolução completa e total de nossas hostilidades no Oriente Médio'.
Por conta disso, Trump diz que instruiu ao 'Departamento de Guerra a adiar todos e quaisquer ataques militares contra usinas de energia e infraestrutura energética iranianas por um período de cinco dias, sujeito ao sucesso das reuniões e discussões em andamento'.
As informações ainda não foram confirmadas oficialmente pelo governo iraniano, que em outras ocasiões negou qualquer tipo de diálogo com os Estados Unidos
.Apesar disso, a emissora estatal iraniana IRIB afirmou nesta segunda-feira (23), em seu canal oficial no Telegram, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adiou o prazo para o Irã reabrir o Estreito de Ormuz ao tráfego marítimo internacional 'por medo da resposta' iraniana.
Antes, o Irã ameaçou ataques a usinas de energia na região do Oriente Médio em resposta aos Estados Unidos. Veículos de imprensa iranianos publicaram uma lista dessas instalações sem nenhuma mensagem, no que pareceu ser uma ameaça indireta a países da região.
Entre as usinas está a nuclear dos Emirados Árabes Unidos, de Barakah, que possui quatro reatores nos desertos do oeste do país, perto da fronteira com a Arábia Saudita.
A agência de notícias Mizan, ligada ao judiciário, também publicou a lista.
A ameaça representada por Teerã coloca em risco tanto o fornecimento de energia elétrica quanto o de água nos estados árabes do Golfo, especialmente porque essas nações possuem grandes faixas de deserto e misturam suas usinas de energia com usinas de dessalinização, cruciais para o abastecimento de água potável.
Essa foi a resposta dada pelo Irã ao prazo de 48 horas dado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que a República Islâmica permitisse a livre circulação de navios no Estreito de Ormuz, prazo que expira pouco antes das 20h (horário dos EUA) desta segunda-feira (23).
Em um comunicado anterior divulgado pela mídia estatal, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã anunciou na segunda-feira a 'decisão de que, se as usinas de energia forem atacadas, o Irã retaliará visando as usinas de energia do regime ocupante e as usinas de energia de países da região que fornecem eletricidade para as bases americanas, bem como as infraestruturas econômicas, industriais e energéticas nas quais os americanos têm participação'.
'Não duvidem que faremos isso', acrescentou o texto.
Em um comunicado divulgado nesta segunda-feira (23), através da agência de notícias ISNA, o Conselho de Defesa do Irã reiterou que a única maneira de países não beligerantes atravessarem o Estreito de Ormuz é por meio da coordenação com o país.
Os membros defenderam que uma reabertura do estreito acontecerá apenas sob autorização iraniana.
Situação da guerra
Enquanto isso, Israel lançou nesta segunda (23) uma nova onda de ataques contra o Irã, que ameaçou implantar "minas navais" no Golfo caso o país ataque, junto aos Estados Unidos, costas ou ilhas.
O governo de Israel anunciou restrições às operações no aeroporto internacional de Tel Aviv. A manobra ocorre diante do aumento dos ataques iranianos e da iminência de uma ofensiva terrestre de grande porte no Líbano.
A decisão impacta o número de decolagens e pousos, além da quantidade máxima de passageiros a bordo em voos. Empresas estrangeiras não operam no país desde o começo da guerra.
Nesse domingo (22), o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, visitou a cidade alvo de um bombardeio iraniano que deixou dezenas de feridos. Ele pediu que a população israelense permaneça em abrigos porque, segundo o premiê, 'o país todo é linha de frente neste momento'.
Teerã afirmou que o ataque teve instalações militares israelenses como alvo. Imagens compartilhadas por agências de notícias internacionais mostraram que áreas civis também foram atingidas.
Também nesse domingo (22), o Irã ameaçou fechar 'totalmente' o Estreito de Ormuz caso o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ataque instalações energéticas do país.
A Guarda Revolucionária iraniana também ameaçou destruir empresas no Oriente Médio com alguma participação societária americana. A ameaça foi feita após Trump ter dado um ultimato, no sábado, para que o Irã reabra o estreito em 48 horas.
A guerra no Oriente Médio entrou na quarta semana, com mais ataques israelenses e iranianos.
Israel iniciou uma nova onda de bombardeios em larga escala contra o Líbano, com a destruição de pontes estratégicas no Sul do país, para desestabilizar o grupo Hezbollah.
O presidente libanês disse que os ataques são uma tentativa de isolar geograficamente o país. Ele disse ainda que a ofensiva israelense é o 'prenúncio' de uma invasão terrestre.
Do lado iraniano, a Guarda Revolucionária declarou ter atingido um caça F-15 que sobrevoava a costa sul do país.
O conflito já deixou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano. Protestos contra a guerra ocorreram em diversas cidades ao redor do mundo neste final de semana