O representante do Irã na ONU, Amir-Saeid Iravani, afirmou nesta terça-feira (7) que Teerã não ficará parada diante das ameaças feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Segundo Iravani, as declarações de Trump, incluindo a de que 'toda uma civilização morrerá' caso o Irã não aceite um acordo, 'constituem incitação a crimes de guerra e potencialmente genocídio'. A fala ocorreu durante uma reunião do Conselho de Segurança que discutia a situação no Estreito de Ormuz.
Na sessão, o diplomata pediu que a comunidade internacional reaja à retórica do presidente americano.
'O Irã não ficará de braços cruzados diante de crimes de guerra tão graves. Exercerá, sem hesitação, seu direito inerente de autodefesa e tomará medidas recíprocas imediatas e proporcionais, declarou.'
As tensões aumentaram após novas manifestações de Trump ao longo do dia. Em publicação na rede Truth Social, ele afirmou que “uma civilização inteira morrerá esta noite”, horas antes do prazo final estipulado para que o Irã reabra o Estreito de Ormuz.
'Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá', escreveu, ao criticar o regime iraniano, no poder há 47 anos.
Em outra declaração, Trump voltou a adotar um tom ameaçador ao dizer que 'o país inteiro pode ser eliminado em uma noite'.
Em entrevista à Fox News, reforçou o ultimato e afirmou que '8 pm vai acontecer', em referência ao horário limite em Washington (21h em Brasília). Segundo o jornalista Brett Baier, o presidente indicou que, sem avanço nas negociações, poderá haver 'um ataque como nunca se viu antes'.
O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas estratégicas globais, por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. O Irã restringiu a circulação na região após ataques realizados por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, o que já impacta os preços internacionais de energia.
O prazo estabelecido por Trump para a reabertura da via marítima termina nesta terça-feira às 21h (horário de Brasília).