Imagine que um jogador de futebol tenha quebrado a perna, a canela, por exemplo. Hoje o tratamento mais comum é imobilizar a área com algum tipo de material e esperar o corpo fazer o trabalho de reconstrução do osso. Mas uma nova técnica em desenvolvimento aqui no Brasil pode acelerar a regeneração óssea, reparando quase 90% do dano em apenas um mês. 

O método permite colocar no local da fratura uma estrutura microscópica feita de grafeno, uma espécie de folha de carbono extremamente fina. Combinados com ele, são usados também resíduos da indústria do papel e até substâncias derivadas de crustáceos, como camarões e caranguejos.
O estudo é coordenado por Daniela Franco Bueno, da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein, e Guilherme Lenz e Silva, da Escola Politécnica da USP, a Universidade de São Paulo. Segundo o professor e pesquisador, esses materiais à base de carbono funcionam como um andaime dentro do osso, como uma estrutura de uma obra.
“Eles preenchem a área da fratura e dão suporte para que o próprio corpo reconstrua o osso utilizando a armação. A diferença é que não são apenas um preenchimento. Eles atraem as células do próprio organismo, ajudam essas células a grudarem no material, a se multiplicarem, a se transformarem em células formadoras de ossos. Além disso, eles favorecem a formação de vasos sanguíneos, o que é essencial para uma cicatrização e uma recuperação de qualidade”.
Em experimentos de laboratório, a técnica se mostrou muito promissora quando comparada a métodos tradicionais.
“Nos testes com ratos vimos que a regeneração óssea muito avançada ocorre em cerca de 30 dias. Hoje em humanos, uma fratura simples leva de seis a oito semanas para se consolidar, e de três a seis meses para remodelar completamente. Em defeitos maiores, a gente está falando aí de meses. Os biomateriais que estamos estudando organizam melhor a regeneração em animais. Mas por enquanto é uma promessa de pesquisa, não é um substituto ainda para o material tradicional”.
Agora os pesquisadores avaliam a combinação desses biomateriais com células-tronco, inclusive as obtidas da polpa de dentes de leite. A expectativa é que a técnica possa ser usada no futuro em fraturas complexas, perdas ósseas e malformações de nascença. Segundo os pesquisadores, a técnica já está em fase avançada de desenvolvimento pré-clínico. Um dos próximos passos é avançar para os estudos em humanos.
