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A OMS (Organização Mundial da Saúde) anunciou nesta sexta (3) uma atualização nas diretrizes globais para o tratamento da dependência de opioides e o manejo comunitário de overdoses, o que reflete a escalada do problema no mundo e a persistente lacuna de acesso a cuidados.
Dados mais recentes da entidade mostram que cerca de 316 milhões de pessoas usaram drogas em 2023, das quais cerca de 61 milhões fizeram uso não médico de opioides --como no caso de morfina, oxicodona, codeína e fentanil.
Essas substâncias seguem como as principais responsáveis pela carga de doença associada ao consumo de drogas: das cerca de 600 mil mortes anuais atribuídas ao uso de substâncias, 450 mil estão ligadas aos opioides.
O acesso ao tratamento permanece limitado, segundo a OMS. Estima-se que 64 milhões de pessoas vivam com transtornos por uso de drogas, mas menos de 10% recebem algum tipo de cuidado.
O assunto foi discutido durante a Cúpula da Parceria das Cidades Saudáveis, que aconteceu nesta semana no Rio de Janeiro e que reuniu cidades pelo mundo que desenvolvem políticas públicas voltadas ao enfrentamento de doenças crônicas não transmissíveis e de lesões passíveis de prevenção.
Para a OMS, ampliar o acesso a intervenções eficazes, seguras e baseadas em evidências é central para reduzir mortes e complicações.
As novas recomendações reforçam a necessidade de que países ofereçam tratamentos acessíveis, éticos e de qualidade, além de estratégias de redução de danos e resposta rápida a overdoses em nível comunitário.
A principal mensagem das diretrizes é a reafirmação do tratamento de manutenção com agonistas opioides (OAMT, na sigla em inglês), considerado o padrão-ouro no manejo da dependência.
Esse modelo envolve o uso controlado de medicamentos como a metadona e a buprenorfina, administrados por profissionais habilitados para reduzir sintomas de abstinência, prevenir recaídas e diminuir o risco de overdose.
A novidade é a inclusão, ainda que com recomendação condicional, de formulações injetáveis de longa duração de buprenorfina.
Esses medicamentos, aplicados semanal ou mensalmente, podem facilitar a adesão ao tratamento -- especialmente entre pacientes com dificuldade de manter o uso diário de comprimidos.
As diretrizes foram elaboradas a partir de um processo rigoroso que considerou não apenas a eficácia clínica, mas também aspectos como custo-efetividade, equidade, aceitabilidade e viabilidade de implementação.
Revisões sistemáticas de estudos quantitativos e qualitativos embasaram as decisões de um grupo internacional de especialistas.
Para a OMS, o desafio não é apenas técnico, mas político e social: garantir que intervenções comprovadamente eficazes cheguem a populações vulneráveis, muitas vezes excluídas dos sistemas de saúde.
O documento completo, com recomendações detalhadas, perfis de evidência e orientações para implementação, está em fase final de revisão por pares e deve ser publicado ainda este ano ou no início de 2027.