Não é porque o seu país não está disputando a Copa do Mundo que você precisa abrir mão de torcer. Na verdade, muitas pessoas ao redor do mundo, de nacionalidades diferentes, adotam justamente o Brasil como a seleção que as representa.
Um dos casos mais curiosos é o de Bangladesh, que está se mobilizando a cada jogo do Brasil. Vídeos que mostram bangladeses reunidos nas ruas em torno de telões, gritando a cada lance da Seleção brasileira, têm viralizado nas redes sociais.
O instagram de Md. Akteruzzaman Bappy tem vários desses registros. Quem olha jura até que ele é brasileiro e, embora não seja, mereceria um CPF, como brincam muitos memes nas redes.
O bangladês conta que, a cada quatro anos, o país asiático se veste de verde e amarelo para torcer pela seleção. "A cada quatro anos, algo extraordinário acontece por aqui. O país inteiro se veste de amarelo e verde. Enormes bandeiras do Brasil aparecem por cidades, vilas, povoados e praticamente todos os cantos de Bangladesh. As crianças vestem camisas da seleção brasileira. As famílias se reúnem diante da televisão. Comunidades inteiras se juntam para celebrar o futebol. Quando o Brasil joga, milhares de pessoas assistem à partida em telões montados em bairros, vilarejos, mercados, centros urbanos e campi universitários de todo o país. De Ronaldo e Ronaldinho a Kaká e Neymar, os ídolos do futebol brasileiro se tornam nomes conhecidos em praticamente todos os lares de Bangladesh", conta.
"Se alguém visitar Bangladesh durante uma Copa, pode pensar que chegou a um bairro brasileiro do outro lado do mundo. Essa é a força da influência do futebol brasileiro em nosso país"
Brasil x Argentina: a rivalidade também chegou à Ásia
O mais curioso é que não é 100% da população bangladesa que compartilha desse sentimento. Por lá, é possível encontrar uma das maiores rivalidades do futebol em um só país: Brasil e Argentina.
Sim! Também é possível encontrar muito azul e branco nas ruas de Bangladesh, na torcida pelos nosso hermanos. E, como no Brasil, isso pode até dar confusão.
É o que explica o jornalista Ariel Palácios, comentarista da CBN e da GloboNews, e autor do livro 'Futebol, Lado B'. 'Inclusive, já houve até briga entre essas torcidas de Bangladesh a favor do Brasil e a favor da Argentina. É algo muito engraçado e bastante peculiar: uma rivalidade futebolística da América do Sul que se transfere para um país do continente asiático. No caso do Brasil, começou a haver uma certa torcida a partir do final dos anos 1990, e no caso da torcida de Bangladesh pró-Argentina, ela começou a crescer desde o início da carreira do Messi", explica.
A conexão histórica entre Brasil e Líbano
Para além da admiração pela tradição e pelos ídolos do futebol brasileiro, há quem torça pela nossa Seleção por outros motivos. Os libaneses, por exemplo, tem um vínculo emocional forte com o Brasil por causa do histórico de imigrações.
O libanês Kamal Kalaum é comerciante no Rio de Janeiro, e disse que torce pelo país porque é muito grato pelas oportunidades que tem aqui. "Falar de esporte é chover no molhado aqui no Brasil. Até porque o Brasil é referência mundial de futebol, nós temos vários títulos que os outros não tem. O Brasil nos deu a oportunidade de trabalhar com toda proteção, sem discriminação, sem dificultar a vida do imigrante. Oh, terra maravilhosa. São tantas as vantagens, tantas virtudes que me ofereceram aqui, que eu não encontro palavras para agradecer", diz.
Já o Carlos Ghazi é filho de libanês e percebe o tamanho da torcida dos compatriotas para o Brasil na Copa. "Eles têm realmente simpatia porque foram muito bem acolhidos aqui, os que vieram depois na Primeira e na Segunda Guerra, se estabeleceram no comércio, e têm filhos brasileiros e gostam do futebol. É um esporte que cai muito bem no gosto dos países árabes em geral", pontua.
"Torcer pelo Brasil no futebol, para o libanês, é uma coisa muito natural"
O Líbano nunca se classificou para uma Copa do Mundo. O jornalista Ariel Palácios explica que, diante disso, os laços dos libaneses com o Brasil se estenderam para o futebol: "O cara migra do Líbano, faz fortuna, volta para o Líbano, e depois volta para o Brasil. Há um vínculo muito forte. Há muitos brasileiros que moram no Líbano. Houve a guerra de uns anos atrás e houve um resgate de muitos brasileiros que moravam no Líbano. Então, você tem aquela coisa de um vínculo muito forte entre esses países. O esporte libanês é o futebol, mas a seleção libanesa de futebol não conta, é fraquíssima. Você tem um vínculo emocional com o Brasil, onde a comunidade libanesa sempre foi muito bem tratada, muito influente".
A admiração italiana pelo futebol brasileiro
E o que dizer dos italianos? Tão apaixonados por futebol quanto os brasileiros, os tetracampeões sofrem por não terem nem se classificado para as últimas três edições da Copa.
Embora não tenha um movimento em massa a favor da seleção brasileira por lá, existe, sim, uma fração de órfãos na Itália que resolveu 'adotar' o time de Neymar, Vini Jr e companhia... Além disso, não custa lembrar, o nosso técnico Carlo Ancelloti é da terra das massas e dos gelatos.
Vivian Vechiu é italiana e mora no Brasil, mas parte da família segue na Itália. Ela percebe uma relação forte do país natal com o nosso futebol. "Eu tenho a minha família que está ainda lá na Itália, e eu posso dizer com certeza que o italiano, uma grande maioria, especialmente não estando na Copa, torce pelo Brasil pelo simples fato da história do futebol brasileiro. Sempre foi muito admirado pelos italianos por ser pentacampeão, o futebol brasileiro como maneira de jogar o futebol também", diz.
"Eu acho que tem um sentimento de simpatia, especialmente quando o italiano não está na Copa"
Entre conexões emocionais ou admiração pela única seleção pentacampeã, a certeza é de que o Brasil conta com torcedores mundo à fora.