Jornalista processado por Zambelli tem prisão decretada

Jornalista processado por Zambelli tem prisão decretada

leandro santos
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 Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Carla Zambelli renunciou ao cargo de deputada federal em dezembro de 2025 | Lula Marques/Agência Brasil

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) determinou a prisão em regime aberto do jornalista Luan Araújo após o não pagamento de valores determinados pela Justiça em um processo por difamação movido pela ex-deputada federal Carla Zambelli.

A defesa alega que Araújo não possui condições financeiras para cumprir as obrigações pecuniárias impostas pela Justiça e informou que pretende recorrer da decisão.

A ação teve origem em um texto publicado por Araújo sobre a atuação da extrema direita, no qual citava Zambelli. Após a publicação, a ex-deputada entrou com um processo por difamação contra o jornalista. Na ação, ele foi condenado ao pagamento de multa e de prestação pecuniária.

Em outubro de 2022, Zambelli perseguiu Araújo e apontou uma arma para ele em uma rua dos Jardins, bairro da zona oeste de São Paulo.

Em 26 de maio, a defesa de Araújo pediu à Justiça a extinção ou o parcelamento dos valores, alegando hipossuficiência econômica. Segundo os advogados, o jornalista atravessa uma situação de vulnerabilidade financeira e não teria condições de cumprir a obrigação sem comprometer seu sustento e o de sua família.

"O Peticionário foi intimado (fls. 577/578) para o pagamento de multa penal (R$ 595,30) e prestação pecuniária (R$ 1.621,00), sob pena de conversão em prisão. Ocorre que o Sentenciado é profissional da área de jornalismo e atravessa situação de extrema vulnerabilidade econômica. O cumprimento das sanções pecuniárias impostas, no montante total que ultrapassa dois mil reais, revela-se obstáculo intransponível, visto que comprometeria gravemente o sustento básico do Peticionário e de seu núcleo familiar", afirma trecho do pedido protocolado pela defesa, representada pelo advogado Renan Bohus.

O pedido, porém, não foi acolhido. Segundo a defesa, a Justiça converteu a pena restritiva de direitos em pena privativa de liberdade, determinando o cumprimento da pena em regime aberto.

Nas redes sociais, Araújo relatou impactos dos processos em sua vida pessoal e profissional. O jornalista também criou uma campanha de arrecadação para custear despesas processuais e outras obrigações decorrentes das ações judiciais.

"Nos últimos quatro anos eu fui bem menos vocal do que poderia ser sobre a violência que sofri da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP), mas, ao ver minha situação atual e a situação dela, tenho que desabafar. Eu perdi oportunidades profissionais, perdi relacionamentos e perdi minha sanidade. Enquanto isso, aquela mulher sofreu muito menos do que deveria sofrer", escreveu em uma publicação feita nesta semana.

Segundo Bohus, a defesa pretende protocolar um pedido de habeas corpus na próxima segunda-feira (8).

Por sua vez, o advogado Fabio Pagnozzi, que representa Carla Zambelli, comentou a decisão em uma publicação nas redes sociais:

"Luan Araújo foi condenado por ofensas contra Carla Zambelli, descumpriu a determinação judicial de prestar serviços à comunidade e agora teve a prisão determinada pelo juiz. Mesmo assim, continua pedindo na internet uma vaquinha de R$ 2 milhões e posando de vítima. Mas o feitiço virou contra o feiticeiro. Trouxa é quem acredita em militância de internet. E, antes de colocar dinheiro na vaquinha dele, vale mais a pena ajudar uma ONG de resgate animal", escreveu.

Como começou a disputa entre Luan Araújo e Carla Zambelli

A disputa entre os dois, no entanto, começou antes da ação por difamação.

A perseguição de Zambelli a Araújo foi em outubro de 2022, véspera do segundo turno das eleições presidenciais.

A então deputada federal deixou o Brasil em julho de 2025 meses depois de ser condenada a 10 anos de prisão por invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserção de documentos falsos. Posteriormente, foi presa em Roma. Enquanto estava na Itália, foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por 9 votos a 2, a cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo no episódio envolvendo Araújo. No mês passado, a Justiça italiana determinou sua soltura após negar o pedido de extradição ao Brasil.

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