Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil

O Piauí registrou 84.046 crianças de 0 a 9 anos com excesso de peso em 2025, segundo dados parciais do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), consultados em maio deste ano. O número representa 29% das crianças acompanhadas nessa faixa etária, o equivalente a 29 em cada 100 crianças, e reforça o alerta para o avanço da obesidade infantil no estado.
O cenário acompanha uma tendência observada em todo o país. Dados do Panorama de Obesidade Infantil e Adolescente, elaborado com informações do SISVAN, apontam que o Brasil contabiliza 1.171.916 crianças com obesidade e outras 783.017 com obesidade grave entre 0 e 9 anos. Os números representam, respectivamente, 8,94% e 5,97% das crianças avaliadas.
A preocupação é ainda maior diante das projeções internacionais. De acordo com o Atlas Global da Obesidade e a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil poderá ocupar, até 2030, a quinta posição entre os países com mais crianças e adolescentes obesos no mundo, caso não sejam adotadas medidas mais efetivas de prevenção.
Para a pediatra e membro da Organização Nacional de Acreditação (ONA), Mariana Grigoletto, os números mostram que a obesidade infantil deixou de ser um problema isolado e passou a representar um desafio para a saúde pública.
"Os dados revelam que a obesidade infantil deixou de ser uma situação isolada e se tornou um importante desafio para a saúde pública. Além de ter consequências nos primeiros anos de vida, o excesso de peso na infância pode aumentar significativamente o risco de doenças crônicas na adolescência e na vida adulta", afirmou a médica.
Entre as principais consequências estão o aumento do risco de diabetes tipo 2, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e problemas emocionais, como baixa autoestima e maior exposição ao bullying.
Embora a maioria das crianças avaliadas esteja dentro da faixa de peso considerada adequada, os dados mostram que o problema exige atenção. Segundo o SISVAN, 62,8% das crianças apresentam peso adequado, mas cerca de 37% possuem algum tipo de alteração nutricional, incluindo sobrepeso, obesidade ou obesidade grave.
Especialistas apontam que a prevenção passa principalmente pela adoção de hábitos saudáveis desde os primeiros anos de vida. A recomendação inclui alimentação baseada em alimentos in natura ou minimamente processados, redução do consumo de ultraprocessados e bebidas açucaradas, prática regular de atividades físicas e controle do tempo de exposição às telas.
"Formar hábitos saudáveis desde cedo é um fator decisivo para evitar o desenvolvimento da obesidade e de outras doenças associadas. Embora a predisposição genética também possa influenciar, os hábitos de vida e o ambiente em que a criança está inserida têm papel fundamental na prevenção e no controle da obesidade infantil", ressaltou Mariana Grigoletto.
Os dados do SISVAN também indicam que o consumo de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas aumenta à medida que as crianças crescem, o que contribui para o agravamento do quadro e reforça a necessidade de ações de conscientização envolvendo famílias, escolas e profissionais de saúde.