Um dos mais terríveis pontos de estrangulamento do ensino brasileiro está agora sendo vencido, após décadas de estragos, graças a programas governamentais de eficiência notável. Refiro-me à evasão escolar, que se dava há décadas no ensino médio, levando milhares e milhares de estudantes a largarem o estudo logo no primeiro dos três anos dessa etapa, trazendo sérios prejuízos ao sistema de ensino e impondo contrariedades às famílias, em razão dos descaminhos que esses jovens trilhavam a partir do abandono escolar.
Essa conquista vem sendo possível porque o Governo Federal, através do MEC, colocou em operação o programa Pé-de-Meia, carro-chefe de um esquema de poupança e incentivo financeiro, lançado em 2024, e que já alcançou 7,2 milhões de jovens de baixa renda, alterando a equação perversa que fazia esses adolescentes a optarem por estudar ou irem ao mercado de trabalho para ajudar suas famílias.
Os dados revelados no último final de semana indicam que em 2025, na comparação com 2024, a taxa de abandono do ensino médio foi reduzida para apenas 2,2%, apresentando uma queda de 40% em apenas um ano.
Há 10 anos, um em cada 10 alunos do ensinio médio simplesmente desaparecia da sala-de-aula, indo em busca de um emprego ou sub-emprego, forçado por estímulos de ter algum dinheiro para sí ou para ajudar seus familiares.
Esse é o resultado, não apenas do Pé-de-Meia em si, mas de um conjunto articulado de políticas públicas que passaram a tratar a educação como prioriedade e estratégia. O programa Pé-de-Meia é um instrumento real de poupança e incentivo financeiro, cuja dinâmica atua de maneira transformadora.
O estudante do primeiro ano do ensino médio recebe R$ 200 no ato da matrícula, e mais R$ 1.800 ao longo do ano, valores que são liberados mês a mês de modo condicionado à frequência escolar, e ainda mais R$ 1.000 por série ao final de cada ano concluído. Ao todo, o estudantre, em três anos, terá acumulado uma poupança que, no geral, consistirá em R$ 9.200.
O Pé-de-Meia não é apenas um mecanismo de transferência de renda. É uma política educacional eficiente, a mais relevante das últimas décadas, que vem para reparar desigualdades sociais e econômicas gritantes, e dar a adolescentes de baixa renda as mesmas oportunidades que possuem jovens de famílias mais abastadas.
Os estudos indicam que com esse programa aplicado pelo Governo, entre 2022 e 2025 a a reprovação no ensino médio das escolas públicas caiu 61%, a distorção idade-série recuou 28% e a taxa de aprovação subiu 11%.
A Pnad Contínua Educação 2025, do IBGE, confirma a tendência: a frequência escolar líquida entre jovens de 15 a 17 anos saltou de 76,8% para 80,6% em um ano, recorde da série iniciada em 2016. A proporção de jovens dessa faixa fora do ensino médio caiu de 23,2% para 19,4%. Para efeito de comparação, entre 2019 e 2022 a queda havia sido de apenas 2,7 pontos percentuais em quatro anos — agora, foram 3,8 pontos em um ano só.
Esses avanços não se explicam por uma única política, mas por uma arquitetura integrada que articulou diferentes frentes. A educação em tempo integral, que parecia uma meta inalcançável do Plano Nacional de Educação, atingiu 25,8% das matrículas da rede pública em 2025 — eram 15,1% em 2021. São 8,8 milhões de estudantes com jornada estendida, mais tempo de aprendizagem, mais proteção social, mais vínculo com a comunidade escolar.