Após divulgação de carta, Moraes suspende visitas de Flávio Bolsonaro ao pai por 90 dias

Após divulgação de carta, Moraes suspende visitas de Flávio Bolsonaro ao pai por 90 dias

leandro santos
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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, suspendeu por 90 dias o direito de visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na mesma decisão, Moraes deu prazo de 48 horas para que a defesa esclareça se Bolsonaro tinha conhecimento de que uma carta escrita durante o período de prisão domiciliar seria divulgada nas redes sociais. O ministro também determinou o envio do caso ao procurador-geral eleitoral para apuração de uma possível prática de propaganda eleitoral antecipada.

Segundo Moraes, Flávio Bolsonaro utilizou a visita ao pai para retirar um documento que tinha como objetivo exclusivo ser divulgado nas redes sociais, o que, na avaliação do ministro, descumpre a decisão judicial que proíbe o ex-presidente de utilizar plataformas digitais, direta ou indiretamente.

A decisão foi motivada por um vídeo publicado pelo senador no último sábado (11). Na gravação, Flávio anunciou que faria a leitura de uma carta escrita pelo pai. Horas depois, divulgou o conteúdo na íntegra durante uma transmissão nas redes sociais.

Na carta, Jair Bolsonaro pede que seus apoiadores se unam em torno da pré-candidatura presidencial do filho e o apresenta como seu porta-voz e a melhor opção para disputar a Presidência da República

Para Alexandre de Moraes, a divulgação demonstra que o documento foi produzido com a intenção de alcançar o público, configurando uma tentativa de burlar a proibição imposta ao ex-presidente de utilizar redes sociais enquanto cumpre prisão domiciliar.

Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos de prisão imposta pelo STF no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado.

Repercussão

A decisão de Moraes foi criticada por aliados de Flávio Bolsonaro. O coordenador da pré-campanha do senador à Presidência, Rogério Marinho, classificou a medida como uma arbitrariedade e afirmou que a suspensão das visitas pode prejudicar a condução da campanha eleitoral. Segundo Marinho, a decisão representa uma mudança de critério justamente em um momento de articulação política para as eleições.

Já defesa da pré-campanha de Flávio Bolsonaro classificou a decisão do ministro Alexandre de Moraes como "ilegal e inconstitucional". Em nota, o advogado Tracy Reinaldet afirma que a suspensão das visitas desrespeita a Lei de Execução Penal, a Constituição e o Estatuto da Advocacia, argumentando que a medida viola o direito de Jair Bolsonaro de receber familiares e de se comunicar com o advogado. A defesa informou ainda que adotará as medidas judiciais cabíveis para tentar reverter a decisão.
Fonte CBN
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