Brasil e Estados Unidos chegam às vésperas de novo tarifaço sem qualquer entendimento

Brasil e Estados Unidos chegam às vésperas de novo tarifaço sem qualquer entendimento

leandro santos
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Às vésperas da decisão final dos Estados Unidos sobre a aplicação do novo tarifaço de 25% imposto por Donald Trump ao Brasil- cujo prazo se conclui neste dia 15, quarta-feira-, o Governo Lula e os empresários brasileiros seguem sem uma resposta acerca do que pode de fato acontecer nas relações comerciais, importantes e históricas, entre os dois países.

Se esse novo tarifaço dos EUA prevalecer, os produtos brasileiros que entrarem nos EUA terão um encargo tributário de 37,5%.

Governantes, produtores e exportadores brasileiros, com presença marcante e persistente do Vice-Presidente Geraldo Alckmin, têm conversado intensamente com os norte-americanos, na tentativa de impedir a aplicação de retaliações apontadas pela seção 301 da Lei do Comércio dos Estados Unidos, em decorrência do que eles enxergam como "desleiais" e "discriminatórias" as práticas adotadas pelo Brasil nas relações comerciais.

Nessa visão dos trumpistas norte-americanos, o Pix brasileiro- esse expressivo mecanismo de transferência financeira instantânea, que vem revolucionando e causando admiração no mundo-, seria um embaraço para os interesses dos EUA.

Mesmo diante de tanta conversa, os avanços para um entendimento, que deixe de fora as tarifas, não parece ter tido qualquer sucesso, tanto que o próprio Palácio do Planalto já admite que não aguardam resultados positivos.

No conjunto das ofertas que o Brasil poderia colocar na bandeja aos Estados Unidos, satisfazendo, assim, às cobiças do Presidente Trump, constam o trato com o segmento eletrônico - desde o comércio, até a regulação de grandes plataformas digitais-, a questão da transição energética, esse um ativo muito forte que o teritório brasileiro tem a oferecer, e num grau mais específico aos próprios interesses de Donald Trump, o tema relacionado a terras raras e minerais críticos.

Tem-se, aqui, um assunto que mexe muito com o interesse do presidente norte-americano, porque terras raras e mineirais críticos têm no Brasil as segundas maiores reservas do planeta. E, no outrro lado, sabendo-se que os elementos químicos decorrentes desses minerais são hoje literalmente necessários, imprescindíveis, à dinâmica de vida da moderna indústria tecnológica, fornecendo os insumos para o segmento energético, para a fabricação de carros elétricos, baterias para automóveis e turbinas eólicas e solares, enfim, toda uma crescente utilisação na produção de equipamentos eletrônicos que vão parar nas mãos das pessoas.

Para revigorar o interesse de Trump, os Estados Unidos olham para os próprios pés, e não encontram nenhuma expressão nesse item de terras raras e minerais críticos, quer quanto às reservas minerais, quer em relação à inteligência tecnológica que permita o beneficiamento final desses elementos, após a extração, até chegarem ao uso industrial em outros segmentos.

E ainda para piorar a situação, todo o mais significativo domínio tecnológico sobre o beneficiamento de terras raras e minerais críticos, de modo a transformá-lo em valor agregado para o país que detenha as reservas, e daí firmar parcerias que favoreçam aos dois lados, está em mãos contrárias a Trump. Isso mesmo: nas mãos da China.

Isso é tão notável, que o Presidente Lula, na semana passada, ao presidir uma grande reunião com secretários, dirigentes de órgãos especializados e cientistas que tratram desses minerais-ocasião em foi feito o anúncio de que o Governo está criando uma política estratégica para cuidar especificamente de terras raras e minerais críticos, foi irônico com Trump.

Lula afirmou que a China tem verdadeira obsessão por minerais críticas e terras raras, por isso detém pleno conhecimento, e que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem "inveja" dos chineses por isso também.

O que o Governo Federal está criando é um mecanismo, ditado por uma política estratégica, para instrumentalizar suas ações, avançar em exploração, e permitir parcerias internacionais capazes de começar em território nacional a industrialização, o beneficiamento final desses minerais, fazendo com que o Brasil deixe de ser mero exportador de matéria-prima.

Deixando de lado a ironia do Presidente Lula em relação a Donald Trump, é impossível saber se o interesse do dirigente norte-americano por terras raras é tão elevado assim, a ponto de ser o facilitador de um entendimento mais amplo entre os dois países, ou se era mais um blefe, daqueles plantados apenas para tumultuar relações bilaterais, que poderiam servir ao interesse comum.
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